O Grande Colisor de Hádrons
O CERN é a Organisation européenne pour la recherche nucléaire ou, em português, Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear. Essa instituição está localizada nos arredores de Genebra, bem na fronteira da França com a Suíça — inclusive pode-se entrar no centro de pesquisas pela Suíça e sair pela França ou vice-versa.
Quando estive em visita a essa bela cidade-sede da ONU, quase fui ao CERN. Para chegar lá é bem fácil: pega-se um ônibus na Gare de Cornavin e, em minutos, alcança-se a portaria. Não fui pois me disseram que não tem nada pra ver lá. Meu objetivo era poder dizer aos amigos que já estive no lugar onde foi inventada a World Wide Web.
Sim, senhores. Foi no CERN que criaram essa maravilha que é a plataforma em que se baseiam todas as páginas da internet. Sempre que você digita www-alguma-coisa está usando uma tecnologia desenvolvida nos laboratórios do CERN.
Hoje, 10 de setembro, é um dia muito importante para a história desse lugar e para a história do mundo. Dentro de mais algumas horas o LHC – Large Hadron Collider será ligado. Esse aparelho, enterrado cem metros abaixo dos prédios que formam o complexo franco-suíço, é o maior acelerador de particulas já criado pelo homem.
A primeira vez que li sobre um acelerador de partículas certamente foi numa Superinteressante qualquer, décadas atrás. Desde então me maravilho com essas coisas.
Grosso modo, o LHC é um tubo circular com 27 quilômetros de diâmetro (imagine o tamanho) onde prótons serão jogados uns contra os outros a velocidades próximas à da luz. Com custo estimado em 8 bilhões de reais, o objetivo do tubão é criar outras partículas e enxergar pela primeira vez o bóson de Higgs, uma das partículas elementares que formam tudo que existe. Além disso, os físicos pretendem encontrar outras dimensões. É sério.
Às três e meia da manhã no Brasil, oito e meia na Suíça, vão ser iniciadas as experiências que podem levar ao fim do mundo.
Há algum tempo circulam pela imprensa e pela internet textos onde se chama a atenção para a possibilidade do LHC provocar pequenos buracos negros que, como qualquer buraco negro, engoliriam o que estiver em seu redor. Uma reação em cadeia poderia levar o universo a desaparecer em minutos.
Outra possibilidade, igualmente poética, seria a criação de strangelets. Essas partículas, como o nome diz, são “estranhas” e, bem, podem acabar com o universo através de um processo de fusão. Tudo se tornaria uma grande massa, talvez uma grande gosma negra. Em ambos os casos, terminaríamos todos juntos, grudados, para sempre.
Para saber se o LHC já destruiu a vida e a não-vida, clique aqui.
Foi um prazer.
Piratas do Tietê
O Domo do Milênio, em Londres, foi o grande erro de Tony Blair. Parecia uma coisa bacana fazer uma espécie de coliseu moderno na periferia da cidade, mas iam usar pra quê? Aconteceu que o Domo virou um elefante branco e foi vendido (ou dado em comodato, sei lá) pra O2, uma operadora de telefonia na Inglaterra. Virou The O2 e transformou-se num espaço para mostras e restaurantes e palco de grandes eventos esportivos ou musicais.
Por exemplo, Daniella Mercury.
A autora de “Alegria agora” irá se apresentar na capital britânica no dia 6 de Junho, no espaço chamado “indigO2″, que é tipo um Baretto. Mentira, é tipo um palco menor dentro da mega tenda que é The O2. Por 40 libras você verá Daniella e o Balé Mulato. Mas porque estou falando disso mesmo? Ah, sim, o Domo. Fica meio longe do centro de Londres, mas dá pra chegar lá de metrô, carro, táxi, ônibus, DLR (que é tipo um monotrilho) e trem. Ou, a minha preferência, de barco.
O Thames Clipper é um serviço de barcos pelo Tâmisa oferecido por uma empresa privada que pode levar os espectadores ao O2. O Thames Clipper também administra o serviço “Tate to Tate”, que conecta a Tate Modern com a Tate Britain via rio. Mas voltando ao show da Daniella, convenhamos que é muito mais chique pegar um barco na London Bridge e descer seis pontos depois na O2. Se você for mais chique ainda, paga mais caro, embarca no O2 Express na Waterloo Bridge e vai direto — bebericando champanhe. De 2,50 a 18 libras, é tudo uma questão de escolha. Aposto que o Balé Cafuzo (ou Mulato, sei lá) vai desse jeito.
Isso me faz pensar que falta algo assim em São Paulo. Alguém poderia, por exemplo, pegar um barco no viaduto Imigrante Nordestino, o mais ao leste da Marginal Tietê, e descer uma meia hora depois na avenida Interlagos, no ponto mais ao sul da Marginal Pinheiros, pra ver a Fórmula 1. (na verdade, ali nem é mais marginal, mas deu pra entender a idéia)
Imagina que beleza deixar seu carro estacionado na USP, ir num shuttle exclusivo até o pier Cidade Universitária e entrar num barco-bar que o levará até a ponte Transamérica. Lá você desceria e entraria em outro shuttle exclusivo que o deixaria na porta do Teatro Alfa. Imagine as mulheres com chapéus enormes… Depois jantariam no restaurante no topo da ponte estaiada. Seria um retorno à belle époque paulistana. Poderia até ser criado um circuito do jet-set, com paradas na Hebraica, no Jóquei e na Daslu, além do já citado Alfa.
Mas somos uma cidade de muitos contrastes. Não podemos apenas pensar na alta sociedade e, por isso, proponho a criação de linhas como a Expresso Morumbi. Ela servirá tanto para os trabalhadores se deslocarem até a Berrini, quanto para os torcedores chegarem ao estádio homônimo em dias de jogo. Os corinthianos adorariam poder embarcar na ponte do Tatuapé e descer com tranqüilidade e conforto minutos depois na ponte do Morumbi. O problema seria possíveis brigas entre torcidas. Não gostaria de acordar na quinta-feira e ler na capa da Folha: “Embate entre torcidas afunda barco com são-paulinos nas imediações da ponte Bernardo Goldfarb”.
Vou te contar
Desde que me rendi ao RSS minha vida é melhor. Agora leio os blogs que acompanho sem gastar tantos cliques no mouse (o que será bom para a tendinite) e sem ter de aturar designs feios e cheios de propagandas. Aliás, a mercantilização dos blogs anda em níveis quase insuportáveis. Digo, a “monetização”, que é a palavra da moda. Mercantilização é feio, né? Lembra mercado… Falarei sobre isso futuramente.
Escolhi para tão nobre tarefa o Google Reader. Poderia ter baixado algum software específico para isso, pois já vi uns muito simpáticos que rodam no Mac, mas decidi dar mais um voto de confiança ao Google porque: é grátis, prático e, mais importante, posso acessar de qualquer lugar. Percebi que algumas vezes os feeds não são atualizados no mesmo instante, mas não sei se é um problema no Reader ou na idéia geral de RSS.
Fato é também que tenho assinado mais feeds que o necessário. É tão simples clicar no botãozinho no Firefox e adicionar mais aquele blog à lista do Reader que chega a ser quase impossível não fazê-lo. Claro que depois é um problema arranjar tempo para ler tudo, mas vamos levando. Por enquanto tenho 46 feeds assinados.
Volta ao mundo em um dia
O NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte) é uma organização militar conjunta dos Estados Unidos e do Canadá. Sua missão, segundo o site oficial é “salvaguardar a soberania do espaço aéreo dos Estados Unidos e do Canadá, respondendo a aproximações e operações aéreas desconhecidas, não desejadas e não autorizadas”. A chegada de Papai Noel pode ser considerada uma aproximação aérea conhecida, desejada e até mesmo autorizada. Não? Bom, eles a acompanharam assim mesmo.
Pessoas do mundo todo puderam acompanhar o vôo do trenó que aconteceu ontem, desde o Pólo Norte até a última cidade, através de um site especial. Em alguns locais, o NORAD contava com repórteres a postos para filmar a passagem de Papai Noel e fazer comentários sobre sua viagem de vinte e quatro horas. Foram usados nesse projeto radares, satélites, câmeras e aviões.
Apesar do bom velhinho se deslocar a 5,8 mil quilômetros por segundo, os militares conseguiram encontrá-lo em vários lugares. Eles explicaram que o tempo passa mais lentamente para Papai Noel, então ele não precisa voar tão rapidamente assim. A prova é que ele tem quinze séculos e está em ótima forma! Resta saber se a equipe do NORAD conseguiu fazer o tempo andar mais devagar também. Parece que sim.
Razões
Preciso de um lugar pra escrever.
Além disso, eu queria testar o WordPress depois de anos no Blogger. Cheguei numa versão mais ou menos do layout para o blog depois de uma hora brigando com o site. Maiores modificações, só pagando. E o que são aquelas florzinhas na coluna ali do lado? Malditos.


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