We, the people…
Aqui no Brasil a gente tem uma mania insaciável: defender as cores da pátria onde quer que estejamos. É tão mania nacional quanto o futebol.
Há nove dias, a publicação de um texto em português num site americano causou a discórdia nas mensagens que se seguiram. Não, não estavam comentando o teor do texto… Tudo começou com um usuário dizendo “Our national language is English! If you want to post something, do so in English”. Apesar do fato de não haver língua oficial nos Estados Unidos, o que se viu foi uma grande e improdutiva discussão sobre a necessidade de se escrever em inglês no tal site (pois ele é nos EUA, a maior parte de seu conteúdo é em inglês etc.) e sobre a dominação americana da internet.
Isso sem eu citar a invasão brasileira no Orkut.
É Natal, gente. Um tempo de alegria, felicidade e compreensão. Ah, mas não para os brasileiros ufanistas. Outro site, dessa vez um de humor, publicou algo sobre “Seis tradições natalinas insanas do resto do mundo“. Claro que Pindorama aparecia entre as seis tradições bizarras e o texto dizia que o Papai Noel vem pra cá naquela roupa de frio apesar do calor, que temos animais falantes na nossa versão da história do nascimento de Cristo e que um cigano (?) seqüestra a criança. Me diz qual o problema. A seção sobre a tradição italiana é, por assim dizer, muito mais desrespeitosa com o povo da pizza pois diz que o bom velhinho deles é uma bruxa que não quis visitar Jesus e que passa o resto da eternidade procurando por ele de casa em casa. Ok, desrespeitosa? Pensando bem, nem um pouco.
Mas os brasileiros preocupados apareceram com suas mensagens edificantes como “Não consegui não ficar revoltado com a merda que você escreveu gringo idiota”, em português, como manda o figurino anti-imperial. E sem a vírgula que deveria estar entre “escreveu” e “gringo idiota”, como manda o figurino anti-gramatical. Ainda bem que eles não viram esse outro post no mesmo site.
Isso sem eu pretensiosamente analisar o fetiche que a grande mídia brazuca tem pela repercussão de nossas importantes (sic) notícias nos principais jornais do mundo.
Espera. “A gente” não defende as cores da pátria, não. Eu não defendo. Até parece que vou ficar perdendo meu tempo com isso. Do que adianta ficar por aí, em fóruns online, xingando aleatoriamente os gringos que se divertem com nossos estereótipos quando vídeos como o abaixo são publicados no YouTube?





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