Dois meses

Piratas do Tietê

Publicado em Sem categoria por Elder em Maio, 2008

O Domo do Milênio, em Londres, foi o grande erro de Tony Blair. Parecia uma coisa bacana fazer uma espécie de coliseu moderno na periferia da cidade, mas iam usar pra quê? Aconteceu que o Domo virou um elefante branco e foi vendido (ou dado em comodato, sei lá) pra O2, uma operadora de telefonia na Inglaterra. Virou The O2 e transformou-se num espaço para mostras e restaurantes e palco de grandes eventos esportivos ou musicais.

Por exemplo, Daniella Mercury.

A autora de “Alegria agora” irá se apresentar na capital britânica no dia 6 de Junho, no espaço chamado “indigO2″, que é tipo um Baretto. Mentira, é tipo um palco menor dentro da mega tenda que é The O2. Por 40 libras você verá Daniella e o Balé Mulato. Mas porque estou falando disso mesmo? Ah, sim, o Domo. Fica meio longe do centro de Londres, mas dá pra chegar lá de metrô, carro, táxi, ônibus, DLR (que é tipo um monotrilho) e trem. Ou, a minha preferência, de barco.

O Thames Clipper é um serviço de barcos pelo Tâmisa oferecido por uma empresa privada que pode levar os espectadores ao O2. O Thames Clipper também administra o serviço “Tate to Tate”, que conecta a Tate Modern com a Tate Britain via rio. Mas voltando ao show da Daniella, convenhamos que é muito mais chique pegar um barco na London Bridge e descer seis pontos depois na O2. Se você for mais chique ainda, paga mais caro, embarca no O2 Express na Waterloo Bridge e vai direto — bebericando champanhe. De 2,50 a 18 libras, é tudo uma questão de escolha. Aposto que o Balé Cafuzo (ou Mulato, sei lá) vai desse jeito.

Isso me faz pensar que falta algo assim em São Paulo. Alguém poderia, por exemplo, pegar um barco no viaduto Imigrante Nordestino, o mais ao leste da Marginal Tietê, e descer uma meia hora depois na avenida Interlagos, no ponto mais ao sul da Marginal Pinheiros, pra ver a Fórmula 1. (na verdade, ali nem é mais marginal, mas deu pra entender a idéia)

Imagina que beleza deixar seu carro estacionado na USP, ir num shuttle exclusivo até o pier Cidade Universitária e entrar num barco-bar que o levará até a ponte Transamérica. Lá você desceria e entraria em outro shuttle exclusivo que o deixaria na porta do Teatro Alfa. Imagine as mulheres com chapéus enormes… Depois jantariam no restaurante no topo da ponte estaiada. Seria um retorno à belle époque paulistana. Poderia até ser criado um circuito do jet-set, com paradas na Hebraica, no Jóquei e na Daslu, além do já citado Alfa.

Mas somos uma cidade de muitos contrastes. Não podemos apenas pensar na alta sociedade e, por isso, proponho a criação de linhas como a Expresso Morumbi. Ela servirá tanto para os trabalhadores se deslocarem até a Berrini, quanto para os torcedores chegarem ao estádio homônimo em dias de jogo. Os corinthianos adorariam poder embarcar na ponte do Tatuapé e descer com tranqüilidade e conforto minutos depois na ponte do Morumbi. O problema seria possíveis brigas entre torcidas. Não gostaria de acordar na quinta-feira e ler na capa da Folha: “Embate entre torcidas afunda barco com são-paulinos nas imediações da ponte Bernardo Goldfarb”.

Virada Cultural – v. 4

Publicado em Sem categoria por Elder em Abril, 2008

O fato é que eu, num acesso de infantilidade, achei que conseguiria ficar em casa estudando para a prova que terei nesta semana. Com isso, deixei de sair ontem à noite para ver as atrações da Virada Cultural. Obviamente não estudei. Certo de que não poderia deixar de ver uma coisinha que fosse na festa deste ano, deixei minha casa à tarde com destino ao Teatro Municipal. Lá chegando, veria o show de Fabiana Cozza, uma cantora sobre a qual uma amiga não pára de comentar. Meus colegas chegaram todos atrasados e, bem, havia uma fila gigante em volta do Teatro — não para ver Fabiana, mas sim Jair Rodrigues. Ok, tem show dela no Auditório Ibirapuera no começo do mês.

Seguimos então para a av. São João. Queríamos ver Jorge Ben e seus pê-pê-re-pês-taj-mahal infindáveis e inegavelmente dançantes. No caminho, centenas de pessoas andando pelas ruas do centro e a sensação de satisfação que me acontece todos os anos durante esse evento. Cheguei a comentar que agora me lembrava a Fête de la Musique que participei em Genebra… Rapidamente fui enxotado e continuamos caminhando naquele calor que era maximizado pelo asfalto e pelos prédios.

Ao atingirmos o ponto histórico de São Paulo, a esquina com a Ipiranga, fomos enfeitiçados pelo brilho do Bar Brahma. Tentamos seguir em frente para ver Jorge mais de perto, só que o chopp gelado foi mais forte. Acabamos ficando nas mesinhas da área externa do bar ouvindo samba rock, dançando sem sair das cadeiras e aproveitando o início de noite na cidade.

Stroopwafels

Publicado em Sem categoria por Elder em Janeiro, 2008

Gouda é uma cidade na Holanda a cinqüenta minutos de Amsterdam (preço do trem: 9,60 euros) e conhecida por ser o local de invenção do queijo que leva seu nome. Eu gosto de Gouda, mas não por causa do queijo. Foi lá que inventaram também uma das coisas mais gostosas que já saíram daquele país: o stroopwafel.

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Conheci o tal stroopwafel através de um conhecido que estava morando por lá. Um amigo em comum foi visitá-lo e trouxe de volta os pacotes com aquela espécie de bolacha recheada com um caramelo que fica melhor ainda quando quente – na frigideira, no microondas ou, como fazem os holandeses, deixando em cima da xícara de café. Acaba rápido, acaba muito rápido. E o pior é que é barato. Com dois euros se compra um pacote com dez e, se eu morasse na Holanda, teria uma overdose de açúcar por culpa do stroopwafel.

Voltei pro Brasil disposto a encontrar o doce aqui em São Paulo. Procurei em vão por vários lugares, de empórios chiques nos Jardins ao Mercado Municipal. Mobilizei amigos na busca. Já triste, imaginando que só comeria novamente quando voltasse sei lá quando pra Holanda, recebi um SMS: “tem stroopwafel no Pão de Açúcar”. Hein?

Encontrei. Sim, encontrei. Havia uma profusão de caixas de stroopwafels na porta do mercado, bonitas, com oito unidades por dez reais. O dobro do preço na origem, é verdade, mas fazer o quê. São produzidos pela Casino, uma rede francesa de supermercados que aportou dinheiro na CBD (controladora do Pão de Açúcar) há um tempo. Fazem parte de uma série de produtos chamada “Saveurs d’Ailleurs” e se chamam “gaufres hollandaises”, o que me lembra de uma coisa.

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Gaufre” é um doce típico da Bélgica, que chamamos aqui no Brasil de “favo holandês” ou de “waffle”. É bem diferente do stroopwafel e, como se vê, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Assim como o kebab, que é turco mas a gente chama de churrasco grego.

Cinco filmes

Publicado em Sem categoria por Elder em Janeiro, 2008

Pra continuar a série sobre cinema, mais cinco filmes que vi.

“Medos Privados em Lugares Públicos”, de Alain Resnais, é uma espécie de “Closer” dans Paris e… Espera. Acabei de ler o seguinte na Contracampo:

Existe a tentação, é comum até, de só se olhar para o enredo e menos para o enfoque, e assim considerar o filme como uma espécie de Closer acrescido de mais dois personagens, incrivelmente melhor atuado, mais elegante (também, não era difícil) e com personagens em idade mais velha.

Saco. Se caí nessa tentação, não posso mais falar sobre esse filme. Leia os comentários daquela revista e ignore os meus. Não tenho mais moral para falar dos outros, mas vou dizer rapidamente o que achei de cada um.

“Mutum”, de Sandra Kogut, é bom.

“Meu Nome Não é Johnny”, de Mauro Lima, é bom.

“Em Paris”, de Christophe Honoré, é bom.

“Xuxa em Sonho de Menina”, de Rudi Lagemann, eu não vi.

Até o dia em que o cão morreu

Publicado em Sem categoria por Elder em Janeiro, 2008

Publicado em 2003 pela Livros do Mal, encontrar uma cópia de “Até o dia em que o cão morreu” em 2006 era uma tarefa difícil. Cheguei a mandar um email pro Daniel Galera, o autor, perguntando sobre isso e ele me respondeu que havia umas duas disponíveis aqui em São Paulo. Acabei não indo atrás, fui viajar e, quando voltei, o livro tinha sido publicado novamente (dessa vez pela Companhia das Letras) e já tinha até virado filme (“Cão sem dono“, de Beto Brant). Comprei nesta semana.

Li as noventa e nove páginas em pouquíssimas horas. O mesmo tinha acontecido quando comprei “Mãos de cavalo”, livro mais recente do Galera. É algo mais forte que eu: você senta, começa a ler e, quando vê, já acabou. Bom, “Até o dia…” é mais fraco que o “Mãos de cavalo”, mas eu já esperava isso pois o normal é que se evolua com o tempo. O primeiro livro dele, “Dentes guardados“, é uma coletânea de contos, alguns bons e outros ruins. Enfim.

Uma crítica que foi bastante feita ao livro é que nele não acontece nada. Realmente, mas também não sei até que ponto isso é uma coisa ruim pois há muitos livros e filmes onde não acontece nada. O narrador é um cara com quem é fácil se identificar: jovem, recém-formado, desempregado, acabou de sair da casa dos pais, precisa de dinheiro, não tem namorada mas vem pegando o que surge, questiona sua vida etc. O mais próximo de companheiro na existência desse personagem é o cão que ele encontra na rua e passa a viver com ele. Eu diria que mais que isso, o cão também é uma imagem daquilo que o narrador queria ser. Ele é independente e sozinho, sai pra rua pra brigar com os outros cachorros e pra procurar fêmeas desprotegidas mas, acima de tudo, é leal e, por que não?, compreensivo.

Pra mim, é como se o narrador dissesse “vejam! eu sou sozinho, mas também sou amável. eu faço de conta que não preciso de ninguém, mas queria ter alguém ao meu lado”. Esse alguém é Marcela, a modelo que surge de forma bizarra na vida do narrador. Um tanto fútil, seus sonhos giram em torno da carreira e do dinheiro. Ela quer viajar, ter casas, curtir as coisas boas da vida. De certa maneira, ela também é independente mas precisa de alguém para, principalmente, criticá-la. As críticas vêm do narrador e também de problemas que surgem na vida dela.

O livro é cheio de algumas coisas que não me agradaram, alguns vícios e coisas assim. Tem até um ensaio de lição de moral. No entanto, é difícil dizer que não gostei ou que é ruim, mesmo porque eu não sou crítico e nem nunca escrevi história nenhuma. Diferentemente de “Mãos de cavalo”, aqui a gente já tem um personagem pronto, então a identificação que surge do fato de acompanharmos a formação do personagem não existe, mas, como falei ali em cima, ainda é possível se identificar com o estereótipo do jovem urbano etc., etc. (ah, esses malditos lugares comuns do tipo “romance de formação”….) Foi uma boa experiência.

Sem fronteiras

Publicado em aleatório por Elder em Dezembro, 2007

Desde hoje foram eliminados os controles de passaporte na chegada de viajantes vindos de quase toda União Européia para a República Tcheca, Hungria, Estônia, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Eslováquia e Eslovênia. O que esses novos membros do Acordo de Schengen têm em comum? Com exceção de Malta, são todos ex-repúblicas soviéticas.

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Entre outras coisas, isso significa que esses carimbos na imagem acima não mais existirão numa hipotética viagem entre Alemanha, Hungria e República Tcheca. Na época em que percorri esse caminho, os policiais de fronteira vinham checar o passaporte, mas já não faziam perguntas. Dizem que a entrada desses novos países para o clube é o fim definitivo da Cortina de Ferro, mas acho que ninguém nem se lembrava mais disso. E, claro, há opositores achando que a abertura das fronteiras vai trazer uma leva de imigrantes do Leste pobre para o Oeste rico, como se eles já não estivessem vivendo e trabalhando de Portugal à Áustria. E mais criminalidade. Enquanto isso, o Reino Unido e a Irlanda continuam isolados em suas ilhas.

É interessante pensar também que essa Europa sem fronteiras encontra alguns problemas dentro de seus próprios países. Os movimentos separatistas na Espanha, por exemplo, são inegáveis. A Catalunha é extremamente independente, assim como o País Basco – que chega a dizer que suas relações com Madri são relações de Estado para Estado. Essas duas são as regiões mais avançadas nessa questão, mas outras, como a Galícia, também poderiam se separar numa possível divisão do território espanhol. Não à toa, todos acompanham com extremo interesse as questões fronteiriças na antiga Iugoslávia. “Se o Kosovo pode se separar, por que nós também não?”, poderiam pensar os catalões e bascos. Mas isso é outro assunto…

Razões

Publicado em Sem categoria por Elder em Novembro, 2007

Preciso de um lugar pra escrever.

Além disso, eu queria testar o WordPress depois de anos no Blogger. Cheguei numa versão mais ou menos do layout para o blog depois de uma hora brigando com o site. Maiores modificações, só pagando. E o que são aquelas florzinhas na coluna ali do lado? Malditos.

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