Dois meses

O Grande Colisor de Hádrons

Publicado em aleatório por Elder em Setembro, 2008

O CERN é a Organisation européenne pour la recherche nucléaire ou, em português, Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear. Essa instituição está localizada nos arredores de Genebra, bem na fronteira da França com a Suíça — inclusive pode-se entrar no centro de pesquisas pela Suíça e sair pela França ou vice-versa.

CERN

Aí no meio passa a fronteira da França com a Suíça

Quando estive em visita a essa bela cidade-sede da ONU, quase fui ao CERN. Para chegar lá é bem fácil: pega-se um ônibus na Gare de Cornavin e, em minutos, alcança-se a portaria. Não fui pois me disseram que não tem nada pra ver lá. Meu objetivo era poder dizer aos amigos que já estive no lugar onde foi inventada a World Wide Web.

Sim, senhores. Foi no CERN que criaram essa maravilha que é a plataforma em que se baseiam todas as páginas da internet. Sempre que você digita www-alguma-coisa está usando uma tecnologia desenvolvida nos laboratórios do CERN.

Hoje, 10 de setembro, é um dia muito importante para a história desse lugar e para a história do mundo. Dentro de mais algumas horas o LHC – Large Hadron Collider será ligado. Esse aparelho, enterrado cem metros abaixo dos prédios que formam o complexo franco-suíço, é o maior acelerador de particulas já criado pelo homem.

A primeira vez que li sobre um acelerador de partículas certamente foi numa Superinteressante qualquer, décadas atrás. Desde então me maravilho com essas coisas.

Grosso modo, o LHC é um tubo circular com 27 quilômetros de diâmetro (imagine o tamanho) onde prótons serão jogados uns contra os outros a velocidades próximas à da luz. Com custo estimado em 8 bilhões de reais, o objetivo do tubão é criar outras partículas e enxergar pela primeira vez o bóson de Higgs, uma das partículas elementares que formam tudo que existe. Além disso, os físicos pretendem encontrar outras dimensões. É sério.

Às três e meia da manhã no Brasil, oito e meia na Suíça, vão ser iniciadas as experiências que podem levar ao fim do mundo.

Há algum tempo circulam pela imprensa e pela internet textos onde se chama a atenção para a possibilidade do LHC provocar pequenos buracos negros que, como qualquer buraco negro, engoliriam o que estiver em seu redor. Uma reação em cadeia poderia levar o universo a desaparecer em minutos.

Outra possibilidade, igualmente poética, seria a criação de strangelets. Essas partículas, como o nome diz, são “estranhas” e, bem, podem acabar com o universo através de um processo de fusão. Tudo se tornaria uma grande massa, talvez uma grande gosma negra. Em ambos os casos, terminaríamos todos juntos, grudados, para sempre.

Para saber se o LHC já destruiu a vida e a não-vida, clique aqui.

Foi um prazer.

It’s alive!

Publicado em aleatório por Elder em Fevereiro, 2008

Filmes-catástrofe sempre são divertidos: ou você fica tenso e ligado ou o filme é tão tosco que se torna engraçado porque também é ridículo. O mesmo se aplica a filmes de monstro, outra categoria de enorme sucesso e da qual faz parte “Cloverfield” – que, na falta de tradução melhor, acabou ganhando o sufixo “Monstro” na versão brasileira.

Nessa produção de J.J. Abrams (“Lost”), um monstro ataca… Nova York e a cidade é destruída. Digo, parece ter sido destruída. Como estamos na era do YouTube, a idéia do roteiro foi mostrar tudo pelas lentes de uma câmera amadora. Ao menos é uma maneira de diminuir os custos do estúdio. Qualquer semelhança com a idéia por trás de “Redacted”, de Brian De Palma, não é coincidência. Mas faça o favor de não imaginar que estou comparando os dois filmes.

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Ah, eu gosto de filmes-catástrofe e filmes de monstro. Aliás, eu gosto de explosões. Daí vem o prazer em assistir aos filmes do James Bond, por exemplo. Esse, pra mim, é o primeiro ponto fraco de “Cloverfield”.

Pelo fato de vermos o mesmo que um personagem, nossa visão não é muito ampla. Além disso, ela é tremida e escura. Faltam explosões, bombas e fogo. Em certo momento os militares são apresentados atacando o monstro, mas o que vemos são apenas os tiros e um pouco de fumaça. Como se não bastasse a falta de explosões, o filme ainda conta com uma história de amor. Esse é o segundo ponto fraco.

Vamos à situação: você está sendo expatriado para ser vice-presidente de algo não identificado. Seus amigos bonitos e bem vestidos fazem uma festa surpresa para se despedir etc. Durante a festa, você briga com seu caso/namorada. Ela sai, você se despede de forma seca e dispensável e um monstro ataca a cidade. Você sente que deve se redimir dos pecados e o mais recente deles é, claro, a briga com o caso/namorada. Acima de tudo e da própria sobrevivência, todos precisam se redimir dos pecados quando um monstro ataca a cidade. A cidade é Nova York, você mora no sul de Manhattan e seu caso/namorada mora em Columbus Circle, perto do Central Park e a uns quatro quilômetros do seu loft. Os militares dizem pra você fugir da ilha, mas você realmente precisa se redimir dos pecados e decide adentrar o inferno godzilliano. Seus amigos qe sobraram querem ir junto, filmando tudo enquanto a bateria infinita durar.

Sobram questões sobre a mente dos personagens.

Quanta bobagem.

It’s the end of the world as we know it

Publicado em aleatório por Elder em Dezembro, 2007

Este dia é bastante especial pois em cinco anos nada disso existirá.

O burburinho na internet já faz barulho e ele só vai aumentar até 21 de dezembro de 2012, o dia em que o mundo vai acabar. Isso tudo segundo os maias, claro. Não, não os maias do Eça ou da mini-série. Esses maias dos quais eu falo são aqueles caras inteligentes, mexicanos, que viveram na América antes dos espanhóis chegarem destruindo tudo. Eles eram demais. Há séculos criaram um sistema de calendário que tinha a data certa pro apocalipse, mesmo sem tomar conhecimento da existência do juízo final – que até então era um fenômeno restrito aos cristãos.

Esses caras tinham um sistema de ciclos no calendário, com ciclos pequenos e grandes, mais ou menos como a gente e o calendário gregoriano: todo ano tem doze meses, toda semana tem sete dias, todo mês começa no dia primeiro etc. O maior dos ciclos maias duraria uns treze bactuns que, no sistema de contas deles, é o equivalente a 5125,26 anos. Os cientistas não sabem ao certo, mas é bem provável que o último desses ciclos tenha começado em 11 ou 13 de agosto de 3113 a.C. Agora faça as contas: ele acabará em 21 ou 23 de dezembro de 2012.

Tá, mas e daí? A gente também tem ciclos enormes, tipo um milênio.

O que pega agora é que o ciclo maia não só termina nesse dia, como esse dia é o exato momento em que uma rara conjunção astronômica acontecerá. Essa data marcará o solstício de inverno (no hemisfério norte) num momento em que o Sol estará bem no meio da Via Láctea. Como você sabe, solstícios sempre são místicos e esse é especial pois a tal conjunção só acontece a cada treze mil anos. Tem mais informações aqui e aqui. Essa foi a longa explicação histórico-astronômica. Outros seis motivos pelos quais o mundo vai acabar nessa data são enumerados num fórum, que eu copio agora:

1. O pico de tempestades solares acontecerá em 2012.
2. O maior acelerador de partículas será ligado em 2008, mas fará experimentos em 2012.
3. Segundo a Bíblia, o juízo final realmente acontece em 2012.
4. Há um vulcão adormecido nos EUA e se prevê que volte à ativa em 2012.
5. Segundo físicos de Berkeley, a Terra vai explodir em 2012.
6. Os pólos vão trocar de lugar em 2012.

Particularmente, acredito que se nada disso acontecer seremos surpreendidos pelo surgimento de Hercólobus. Esse misterioso planeta vermelho foi um sucesso editorial nas propagandas do metrô paulistano e vem à Terra a cada 25698 anos, tendo sido o culpado pelo afundamento de Atlântida em 9500 a.C. Isso significa que ele estará aqui pertinho em 16198. Falta tempo, mas parece que ele está se movendo mais rápido que o normal (“a velocidades espantosas“) e a melhor data pra ele aparecer será, na minha opinião leiga, 2012.

Então, gente, esqueçam a Copa do Mundo no Brasil.