Um grande parágrafo sobre Chartres
A cidade tem 40 mil habitantes, fica a 90 quilômetros de Paris e é capital do departamento de Eure-et-Loir. Fundada há muitos e muitos séculos (existem evidências de presença humana na região já na pré-história), sua maior atração turística é a Catedral de Notre-Dame de Chartres, cuja construção começou em 1205 e terminou em 1271. Hoje ela é considerada uma das melhores representações da arquitetura gótica e, em 1979, foi tombada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Antes da construção da catedral atual, existiram cinco outras igrejas no mesmo local, sendo a primeira delas a Catedral de Aventin – por volta do ano 350. Naqueles tempos, a região era ponto de encontro dos peregrinos que iam à cidade para participar de festas católicas e, mais importante, para ver o suposto manto da Virgem Maria — em exposição no templo desde 876, quando Carlos II, (o Calvo, filho de Carlos Magno) o teria doado após tê-lo ganho de presente numa Cruzada em Jerusalém.
A quarta igreja antiga pegou fogo junto com o resto da cidade num grande incêndio em 1134 e acreditou-se que o manto teria sido destruído. Então, num belo dia, um cardeal de Roma estava visitando Chartres e, para a surpresa de todos, a relíquia foi encontrada em meio às cinzas! O evento foi rapidamente dado como milagre e um sinal de Maria. Em pouco tempo conseguiram arrecadar dinheiro suficiente para contruir a maior e mais bela catedral da França… Ah, como eram bobinhos os europeus do século XII.
A catedral como a conheçemos hoje ficou pronta em 1260. Suas curiosidades são o labirinto de 261,55 metros (onde quem o percorrer estará fazendo o caminho para encontrar-se com Deus) e os vitrais, sempre citados por serem os mais bem preservados da época medieval e por trazerem em alguns de seus vidros a cor que ficou conhecida como “azul de Chartres”.
Como não poderia deixar de ser, Chartres esconde um segredo. Ou pelo menos é isso que dizem os que lêem livros tipo “O código Da Vinci” e os que crêem em teorias e conspirações. Por exemplo, Laurence Garner é historiador revisionista (seus adversários preferem chamá-lo de “pseudohistoriador”) cujo principal livro é “A linhagem de sangue do Santo Graal.” Ele fez um estudo sobre a localização das várias igrejas de Notre Dame no norte da França. Sua conclusão? Ora, as igrejas foram construídas numa disposição geográfica específica que, vista no mapa,
lembra a formação estelar da constelação de Virgem.
Pegou? As igrejas construídas no norte da França em homenagem à Virgem Maria formam, no mapa, a constelação de… Virgem! Veja:

Chartres está bem no meio
No entanto, brincar com estrelas e constelações é completamente pagão e nem um pouco cristão. Se a gente traçar um círculo, juntar umas linhas e… ei! Leonardo, é a Mulher Vitruviana!

Chartres está, na verdade, num lugar importante
E veja só onde fica Chartres. Isso precisa significar alguma coisa.
It’s the end of the world as we know it
Este dia é bastante especial pois em cinco anos nada disso existirá.
O burburinho na internet já faz barulho e ele só vai aumentar até 21 de dezembro de 2012, o dia em que o mundo vai acabar. Isso tudo segundo os maias, claro. Não, não os maias do Eça ou da mini-série. Esses maias dos quais eu falo são aqueles caras inteligentes, mexicanos, que viveram na América antes dos espanhóis chegarem destruindo tudo. Eles eram demais. Há séculos criaram um sistema de calendário que tinha a data certa pro apocalipse, mesmo sem tomar conhecimento da existência do juízo final – que até então era um fenômeno restrito aos cristãos.
Esses caras tinham um sistema de ciclos no calendário, com ciclos pequenos e grandes, mais ou menos como a gente e o calendário gregoriano: todo ano tem doze meses, toda semana tem sete dias, todo mês começa no dia primeiro etc. O maior dos ciclos maias duraria uns treze bactuns que, no sistema de contas deles, é o equivalente a 5125,26 anos. Os cientistas não sabem ao certo, mas é bem provável que o último desses ciclos tenha começado em 11 ou 13 de agosto de 3113 a.C. Agora faça as contas: ele acabará em 21 ou 23 de dezembro de 2012.
Tá, mas e daí? A gente também tem ciclos enormes, tipo um milênio.
O que pega agora é que o ciclo maia não só termina nesse dia, como esse dia é o exato momento em que uma rara conjunção astronômica acontecerá. Essa data marcará o solstício de inverno (no hemisfério norte) num momento em que o Sol estará bem no meio da Via Láctea. Como você sabe, solstícios sempre são místicos e esse é especial pois a tal conjunção só acontece a cada treze mil anos. Tem mais informações aqui e aqui. Essa foi a longa explicação histórico-astronômica. Outros seis motivos pelos quais o mundo vai acabar nessa data são enumerados num fórum, que eu copio agora:
1. O pico de tempestades solares acontecerá em 2012.
2. O maior acelerador de partículas será ligado em 2008, mas fará experimentos em 2012.
3. Segundo a Bíblia, o juízo final realmente acontece em 2012.
4. Há um vulcão adormecido nos EUA e se prevê que volte à ativa em 2012.
5. Segundo físicos de Berkeley, a Terra vai explodir em 2012.
6. Os pólos vão trocar de lugar em 2012.
Particularmente, acredito que se nada disso acontecer seremos surpreendidos pelo surgimento de Hercólobus. Esse misterioso planeta vermelho foi um sucesso editorial nas propagandas do metrô paulistano e vem à Terra a cada 25698 anos, tendo sido o culpado pelo afundamento de Atlântida em 9500 a.C. Isso significa que ele estará aqui pertinho em 16198. Falta tempo, mas parece que ele está se movendo mais rápido que o normal (“a velocidades espantosas“) e a melhor data pra ele aparecer será, na minha opinião leiga, 2012.
Então, gente, esqueçam a Copa do Mundo no Brasil.




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