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	<title>Dois meses</title>
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		<title>Dois meses</title>
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		<title>Fora FMI</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 16:33:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo pode ser, se quiser será O sonho sempre vem pra quem sonhar &#8211; Maria das Graças &#8220;Inside Job&#8221; é um documentário que funciona como ótimo resumo dos fatos da crise financeira atual e chama atenção para vários pontos relevantes, &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/12/11/fora-fmi/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=287&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em>Tudo pode ser, se quiser será</em><br />
<em>O sonho sempre vem pra quem sonhar<br />
</em>&#8211; Maria das Graças</p>
<p>&#8220;Inside Job&#8221; é um documentário que funciona como ótimo resumo dos fatos da crise financeira atual e chama atenção para vários pontos relevantes, mas o tom panfletário me fazia pensar o tempo todo que aquilo era um filme do Michael Moore com esse verniz mais, digamos, cupcake. É o filme de protesto perfeito para os revolucionários de internet. Pena, pois podia ser muito bom.</p>
<p>A premissa que norteia o roteiro é: bancos e seus executivos são satânicos e maus, enquanto as pessoas normais são ingênuas e boas. O fato de todos estarem brincando e se divertindo enquanto suas ações subiam e suas casas se valorizavam sem sentido é algo ignorado.  E dá-lhe argumentação falaciosa que a galera leitora de Slavoy Zyzek gosta tanto.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><img class=" " title="Reykajavik, capital de uma potência econômica." src="http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/01000/Iceland-460_1000969c.jpg" alt="" width="460" height="288" /><p class="wp-caption-text">Reykajavik, capital de uma potência econômica.</p></div>
<p>Para ganhar nosso coração logo nas primeiras cenas, o diretor Charles Ferguson nos faz acreditar que a Islândia era um próspero país desenvolvido que foi destruído pelo mercado financeiro. Surgem nomes do governo para dizer que &#8220;éramos uma economia avançada, limpa, verde&#8221; &#8212; todo o papo ecológico que a gente curte. Ora, a Islândia nunca deixou de ser um pobre país periférico da Europa. Seus bancos se arriscaram demais e, no momento de stress, viram os investidores que os financiavam fugir. Se o governo islandês assumiu a conta e se isso foi certo ou errado, bem, essa é outra história.</p>
<p>Em dado momento, surge a entrevista com uma cafetina que agenciava garotas de programa para caras de uma série de instituições em Wall Street. Ao que eu lhe pergunto: mas hein? Descobrindo a roda, Ferguson nos informa que muitos homens dos bancos e seguradoras gostam de sexo, strip clubs, carros, grandes casas e barcos, um jatinho talvez e, quem sabe, cocaína. Porque, né, ganhar fortunas e não viver uma vida regrada automaticamente os desqualifica enquanto pessoas aceitáveis. Aparece até um psicanalista pra dar o argumento de autoridade: &#8220;essa gente é assim.&#8221; Se gastassem dois mil dólares numa tarde numa casa de chá o impacto não seria tão grande.</p>
<div id="attachment_304" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://doismeses.files.wordpress.com/2011/12/manhattan.jpg"><img class="size-full wp-image-304" title="Manhattan" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2011/12/manhattan.jpg?w=500" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">:~~</p></div>
<p>Ferguson também dá a entender que achou errado (ou imoral) o governo americano ter <em>incentivado</em> a venda do Bear Sterns por 2 dólares a ação no dia seguinte à sua falência. Em seguida, dá a entender que também achou errado (ou imoral) o governo americano ter deixado o Lehman Brothers quebrar e ter injetado a fabulosa quantia de algumas centenas de bilhões de dólares nos bancos que sobraram para que eles, bem, para que eles não quebrassem.</p>
<p>Na visão de mundo do diretor, é possível ser a favor e muito pelo contrário. Ao mesmo tempo. Até a China aparece como depósito de humildade e bom caráter no meio dessa salada. A China, cara.</p>
<p>Por outro lado, &#8220;Margin Call&#8221; tem a grande vantagem de não ser afetado e ser quase fleumático. E ele também se habilita para uma tarefa pouco nobre: quem trabalha nos bancos é, veja só, gente como a gente &#8212; que gosta de sexo, strip clubs, carros, grandes casas e barcos, um jatinho talvez e, bem, melhor não gostar de cocaína.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><img title="Eu não tou fazendo nada, você também." src="http://blogs-images.forbes.com/forbesleadershipforum/files/2011/10/Margin-Call-starring-Kevi-007.jpg" alt="" width="460" height="276" /><p class="wp-caption-text">Eu não tou fazendo nada, você também.</p></div>
<p>No filme, um funcionário do departamento de risco do banco fictício (Eric Dale, interpretado por Stanley Tucci) descobre que alguns papéis baseados em hipotecas (os &#8220;MBS&#8221; que são várias vezes citados no roteiro, &#8220;mortgage-backed securities&#8221;)  perigam na realidade não valer nada. Fato: o banco &#8220;investe&#8221; temporariamente nesses papéis e seu balanço está lotado deles. Problema: bancos vivem endividados, é comum do negócio, e no caso dos nossos heróis isso não é diferente. Possibilidade: os papéis cedo ou tarde perderão valor, o banco terá um mico na mão e não conseguirá pagar suas contas &#8212; em português, vai quebrar.</p>
<p>Quando Sam Rogers (Kevin Spacey), espécie de chefe de uma mesa na tesouraria, pede aos seus traders que se desfaçam dos MBS antes que seu valor vá a zero, o que eles deveriam fazer? Se levantar e pedir demissão em massa porque vender papéis que eles sabiam não valer nada poderia acabar com a reputação deles frente a seus clientes? Ou aceitar o risco, vender os papéis, talvez ganhar um bônus milionário e tocar a vida? No fim, o que importa é aquilo que o presidente do banco disse: &#8220;neste negócio se ganha de 3 maneiras: sendo o primeiro, sendo o mais esperto, ou trapaceando.&#8221;</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 482px"><img title="I'm just a soul whose intentions are good." src="http://doismeses.files.wordpress.com/2011/12/zachary2bquinto2bmargin2bcall.jpg?w=472&#038;h=314" alt="" width="472" height="314" /><p class="wp-caption-text">I&#039;m just a soul whose intentions are good.</p></div>
<p>Trapacear não faz bem a ninguém, mesmo porque as relações no mercado financeiro &#8212; e na vida &#8212; se dão na base da confiança. Mas ser mais rápido ou esperto é a lei da natureza. Você acha isso triste ou errado? Uma pena, amigo. As pessoas são assim. Talvez a diferença é que quem trabalha no mercado seja <em>mais</em> assim que os outros.</p>
<p>(Classificação: &#8220;Inside Job&#8221; &#8211; 2 protestos em Wall Street, &#8220;Margin Call&#8221; &#8211; 4 ações bem precificadas)</p>
<p>PS: Apesar de eu ter uma opinião enviesada (afinal, isso tudo aí em cima hoje é a minha vida), acho que há muito a ser questionado. Salários e esquemas de incentivos, o papel dos bancos na economia, a própria divisão interna dos bancos entre tesouraria e corporate banking, &#8220;too big to fail&#8221; e o risco moral, a provável importância demais que o mercado financeiro tem hoje frente a outras indústrias, a falta de transparência na divulgação de alguns dados financeiros, o papel dos derivativos na diversificação de risco, a divisão entre investment banking e commercial banking, aspectos regulatórios, agências de classificação de risco, etc. Mas também grande parte disso é discussão sacal pra quem não participa diretamente desse negócio.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/287/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=287&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Roteiro básico pelo Porto</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 04:05:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Um amigo meu vai visitar o Porto e me pediu dicas. Como morei lá uma temporada, acabei escrevendo um email extenso que reproduzo aqui. Vai que alguém perdido pela internet também queira visitar a Invicta&#8230; E, coleguinhas, não se esqueçam: &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/09/02/roteiro-basico-pelo-porto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=205&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Um amigo meu vai visitar o Porto e me pediu dicas. Como morei lá uma temporada, acabei escrevendo um email extenso que reproduzo aqui. Vai que alguém perdido pela internet também queira visitar a Invicta&#8230; E, coleguinhas, não se esqueçam: é <strong>o</strong> Porto, você vai <strong>ao</strong> Porto, você volta <strong>do</strong> Porto.</em></p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/464050091/"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/181/464050091_375cbf1c99.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Comece pela <strong>Avenida dos Aliados</strong>. A “quinta avenida” do Porto (adoro essas comparações) tem prédios bonitos, incluindo a Câmara  e uma estátua de Dom Pedro IV, que é o Dom Pedro I do Brasil. Tem também um McDonald’s bonito, é sério.</p>
<p>Recomendo seguir pela rua de Passos Manuel até a esquina com a <strong>rua de Santa Catarina</strong>, que nesse ponto é um calçadão fechado aos carros. Você vai ver por ali a Fnac. Vire à esquerda na Santa Catarina e vá subindo. Logo no começo, à direita você vai ver o Café Majestic, que é muito bonito. Nas comparações bizarras, diria que é o “A Brasileira” do Porto. Curiosidade: em algum lugar à esquerda, ainda nessa quadra, tem um hotel com uma placa dizendo que Dom Pedro I do Brasil (ou II, que seja) se hospedou ali sei lá quando. Acho que ainda nessa quadra, também à esquerda, tem uma papelaria bem legal que eu recomendo a visita.</p>
<p>Atravessando a rua Formosa, um pouco mais à frente e à direita fica o <strong>shopping Via Catarina</strong>, que pode ser uma opção para comer, olhar vitrines ou ir ao supermercado. Na próxima esquina, com a rua de Fernandes Tomás, tem uma igreja bonita, cheia de azulejos (como todas as outras). Virando à esquerda na Fernandes Tomás, depois da próxima rua fica o <strong>Mercado do Bolhão</strong>, que é o mercadão do Porto. Dependendo do dia e horário pode ser fotogênico.</p>
<p>Seguindo em frente você vai chegar nos fundos da Câmara e, andando um pouco mais, subindo  a rua da Trindade, na estação <strong>Trindade</strong> do metro. Se, ao invés disso, você atravessar a pracinha atrás da Câmara, você anda um pouco mais até a <strong>rua do Almada</strong>, que tava passando por uma invasão de lojas modernosas há 4 anos. Não sei como tá agora. A Embaixada Lomográfica fica (ou ficava) ali.</p>
<p>De qualquer maneira, você pode descer a Almada (ou descer novamente pelos Aliados) até a <strong>Praça da Liberdade</strong>, que é a rua onde terminam os Aliados. Ali você vira à direita e sobe a rua dos Clérigos até a <strong>Torre dos Clérigos</strong>. É uma igreja com um milhão de anos com uma torre na qual você pode subir. Ali ao lado fica a <strong>Livraria Lello</strong>, que é <a title="The world's 10 best bookshops" href="http://www.guardian.co.uk/books/2008/jan/11/bestukbookshops" target="_blank">uma das mais bonitas do mundo</a> segundo o Guardian – dica: é verdade.</p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/394656295/"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/147/394656295_19b05ab74d.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>A partir dali eu voltaria pra praça da Liberdade, até a <strong>estação São Bento</strong>, cujo hall é certamente um dos mais bonitos de todas estações de trem que você verá. Tem&#8230; azulejos. Subindo a rua ao lado da São Bento, você chegará à praça da Sé. Lá fica a igreja mais velha do Porto e uma das mais velhas de Portugal. É do século XII e é muito legal. Seguindo em frente chega-se à <strong>ponte Dom Luís</strong>, que é a ponte mais bonita da cidade, construída pelo escritório do Gustave Eiffel etc. Atravesse até Vila Nova de Gaia. Num dia quente de sol é incrivelmente bonito e rolam um moleques pulando do andar mais baixo da ponte até o rio. Nós sempre íamos lá pra observar essa vista quando estávamos deprimidos haha.</p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/4341682543/"><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2500/4341682543_e4040cc53e.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Ao chegar em <strong>Gaia</strong>, desça até o rio. Ali, e em algumas ruas transversais, ficam as caves onde você pode conhecer um pouco do processo de fabricação do vinho do Porto e experimentá-lo. Todos cobram mais ou menos o mesmo preço (barato) pela visita. Quatro anos atrás a Croft tinha visitas grátis, mas não eram tão legais quanto as pagas em outras caves. Gostei especialmente da Cálem, que também tem presentes bacanas.</p>
<p>Dica: para comprar vinho, compre no supermercado. A única coisa diferente que você vai encontrar nas caves são embalagens de luxo, mini-garrafas e coisas do tipo. E duas coisas que você pode fazer a partir de Gaia, se estiver afim: 1) pegar um barco que vai rio adentro, onde você poderá ver algumas plantações de uva; e 2) pegar o metrô que fica em frente ao final da ponte Dom Luís (Jardim do Morro) e seguir até a última estação da linha (João de Deus, 3 estações depois) pra ir no El Corte Inglés, que é o Mappin espanhol e geralmente tem roupas bacanas e cervejas importadas no subsolo.</p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/394660274/"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/173/394660274_cb91edc4e3.jpg" alt="" width="500" height="373" /></a></p>
<p>Voltando para o Porto, vá pelo andar de baixo da ponte e chegue no <strong>Cais da Ribeira</strong>. Ali existe uma série de lojinhas de souvenir e bares com a vista pra Gaia. Seguindo em frente você chega na Praça do Cubo, em frente ao hotel Pestana. Se me lembro bem, um bar que fica ali diz que tem a melhor francesinha da cidade. Recomendo subir essa rua de São João Novo. Outra opção pra voltar pra cidade alta é pegar o funicular que fica pro outro lado da ponte e do cais, mas o mais legal é subir à pé.</p>
<p>Essa região é mixed feelings. Tem (tinha) a parte com novas lojas descoladas que eu recomendo procurar e visitar. Mas tudo que fica no triângulo entre a São João Novo, a Infante Dom Henrique e o rio é meio no go area. Ali é o bairro chamado de Ribeira e, em resumo, é um amontoado de cortiços. Curiosinho pra ver de longe e tirar fotos, mas dizem os portuenses que não é recomendável pra andar. Só andei lá no meio uma vez e a galera é um tanto mal-encarada. Na Infante Dom Henrique com a Mousinho da Silveira fica a antiga <strong>Bolsa </strong>e um velho mercado onde às vezes acontecem exposições e coisas assim. Parece que uma balada conhecida da cidade se mudou pra lá, não sei. Tudo velho e bonito.</p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/394658389/"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/165/394658389_86cb4cc2e8.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Subindo pelas ruas atrás da Bolsa você volta para perto dos Aliados e dos Clérigos. Atrás dos Clérigos fica a praça onde está a <strong>reitoria da Universidade do Porto</strong>. O prédio é bonito e tem um museu x. Ao lado da reitoria fica uma praça com uns bares, sendo um deles o bar mais clássico e mais freqüentado pelos alunos da UP: o Piolho. À noite é poca zuera. Em frente a isso tudo, uma igreja com azulejos muito bonita (outra) e a Fonte dos Leões, que é bem breguinha. Seguindo pela rua ao lado da igreja de azulejos você chega numa praça com um teatro e, seguindo mais, você pega a <strong>rua da Cedofeita</strong>, que é uma rua de comércio bem apertada &#8212; é, digamos, a rue Mouffetard dessa parte de baixo da Europa.</p>
<p>Atrás do Piolho, passando pela praça Campo dos Mártires da Pátria, você passa atrás do Hospital Geral de Santo António e pega a rua da Restauração ou, do outro lado, a rua de Dom Manuel II. Quaisquer delas vai te levar até os <strong>Jardins do Palácio de Cristal</strong>. O Palácio de Cristal em si é igual ao pavilhão de esportes do Ibirapuera, mas os jardins são bem bonitos. Num dos cantos dos jardins tem um mirante onde você tem uma vista bonita do rio e da ponte da Arrábida, que é a ponte que fica mais próxima à foz do Douro.</p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/398224727/"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/188/398224727_d4b1bca7fd.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Dali, com alguma boa vontade, é possível andar pela rua de Júlio Dinis até a praça Mousinho de Albuquerque, mas que todos conhecem como <strong>Rotunda da Boa Vista</strong>. A Boa Vista é um bairro moderno de classe média. Na rotunda fica a <strong>Casa da Música</strong>, que é o prédio mais bizarro do Porto, projetado pelo Rem Koolhas. Recomendo ver se tem algo legal na programação. Mesmo que não tenha, vale a pena entrar pra explorar e tirar fotos.</p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/1286993502/"><img class="aligncenter" src="http://farm2.static.flickr.com/1304/1286993502_a9785ee22e.jpg" alt="" width="500" height="332" /></a></p>
<p>Ainda nesse bairro, mas numa parte mais distante da rotunda, numa travessa da avenida da Boavista, onde você vai precisar de um ônibus ou de um táxi, fica o <strong>museu de Serralves</strong>. O museu propriamente dito eu nem lembro se é legal (talvez não seja) mas o jardim é muito bonito.</p>
<p>Seguindo até o final da avenida da Boavista (bem longe pra ir à pé, aliás) você passará ao lado do <strong>Parque da Cidade</strong> e chegará a uma das praias. O Porto não tem praias muito bonitas (é preferível pegar o trem e ir pra Espinho, que é uma cidade próxima, mas nem se preocupe muito pois geralmente venta e faz frio), então o legal ali é ver o <strong>Castelo do Queijo </strong>e a escultura bizarríssima da Janet Echelman (uma anêmona feita de rede com 42m de diâmetro e 60m de altura) que fica na praça que tem no final da Esplanada do Rio de Janeiro. Quatro anos atrás estavam construindo um prédio/shopping ali. Não sei a quantas anda.</p>
<p>O jeito mais prático pra ir embora dali, sem ser voltando pelo caminho que veio, é pegar o metro na estação Matosinhos Sul. Ou então você pega um ônibus que vá pela margem do Atlântico (av de Montevideu, av do Brasil etc.) só pela vista do oceano e chega de volta à foz. De qualquer maneira, recomendo um passeio por essas avenidas que margeiam o mar pra tirar umas fotos.</p>
<p>Se você pegar o ônibus pro outro sentido, algum que vá pela Estrada da Circunvalação e siga até o centro da cidade, você passará perto do <strong>Estádio do Dragão</strong>, que é o estádio do F.C. Porto e é um dos mais modernos da Europa. Fica no metro Estádio do Dragão, é vizinho de um shopping legalzinho e era relativamente perto de casa. Saudades.</p>
<p><a title="Sem título por elderc, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/394656662/"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/172/394656662_dafcc5a22d.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/205/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=205&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>I will be true to you. Whatever comes.</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 03:23:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A Árvore da Vida&#8221; vale também pelas imagens da época de ouro americana: os anos 50. No pós-guerra, não havia concorrência com os Estados Unidos. As casas se enchiam de eletrodomésticos, as ruas se enchiam de carros. Enquanto a Europa e &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/08/15/i-will-be-true-to-you-whatever-comes/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=231&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A Árvore da Vida&#8221; vale também pelas imagens da época de ouro americana: os anos 50. No pós-guerra, não havia concorrência com os Estados Unidos.</p>
<p>As casas se enchiam de eletrodomésticos, as ruas se enchiam de carros. Enquanto a Europa e o Japão se reconstruíam, a União Soviética se enfiava em seu limbo socialista e as cidades americanas brilhavam no período auge do país que acabara de se tornar a maior potência do mundo. Cidades do interior razoavelmente desenvolvidas, com ruas pacatas, casas grandes e jardins enormes onde as crianças brincavam e aos poucos iam descobrindo coisas da vida.</p>
<blockquote><p>Onde estavas tu, quando eu fundava a terra?</p>
<p>Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?</p>
<p>(Jó, 38:4,7)</p></blockquote>
<p>Vi &#8220;Melancolia&#8221; numa semana e &#8220;A Árvore da Vida&#8221; em outra. Depois disso tive de rever minha análise científica do filme do Lars e dei um downgrade na nota. Não vale 4, mas vale 3. Porque &#8220;A Árvore da Vida&#8221; é melhor, e é um contraponto. Enquanto Lars fala sobre o fim, Malick fala sobre a criação.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-232" title="Família O'Brien" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2011/08/tree-of-life-5.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p>Em comum aos dois filmes só essa tristeza imensa que eu senti. Em &#8220;Melancolia&#8221;, uma tristeza egoísta relacionada ao fim do mundo. Tipo: &#8220;mas aqui é tão bom e tem tanta coisa pra fazer, não quero que tudo se exploda.&#8221;</p>
<p>Em &#8220;A Árvore da Vida&#8221;, uma tristeza egoísta relacionada ao começo da vida.</p>
<p>Quando nasce Jack, o primeiro filho da família O&#8217;Brien, já estamos lá pela metade do filme e já tivemos uma seqüência arrebatadora de 18 minutos com a história do universo. Do Big Ben aos dinossauros, é como se Terrence Malick falasse &#8220;galera, se liga, a gente é muito pequeno.&#8221; E eu pensando: &#8220;pra quê? por que um filho? é muita tristeza, é muito pouco. não vale, é sofrimento.&#8221;</p>
<p>A mãe em dado momento diz: &#8220;Nature only wants to please itself.&#8221;</p>
<p>(Classificação: 4 organismos unicelulares)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/231/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=231&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Família O&#039;Brien</media:title>
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		<title>Tristeza</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 04:32:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira vez que morri eu tinha uns 16 anos. Foi bem no dia em que fui apresentado ao Prelúdio da ópera &#8220;Tristão e Isolda&#8221;, do Wagner. Achei tão bonito que aquela música nunca mais saiu da minha cabeça. E &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/08/10/tristeza/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=209&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira vez que morri eu tinha uns 16 anos. Foi bem no dia em que fui apresentado ao Prelúdio da ópera &#8220;Tristão e Isolda&#8221;, do Wagner. Achei tão bonito que aquela música nunca mais saiu da minha cabeça. E eu nem sabia direito quem era Wagner, só conhecia &#8220;Cavalgada das Valquírias&#8221; por causa daquela coleção de música clássica que vinha encartada em 12 CDs na revista Caras &#8212; quando a Caras ainda queria passar uma imagem de chiqueza.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/08/10/tristeza/"><img src="http://img.youtube.com/vi/fktwPGCR7Yw/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Bom, aí eu vi &#8220;Melancolia&#8221;, do nosso sempre polemicozinho Lars von Trier. Ele usa a música na abertura do filme, coisa absolutamente plástica, perfeição visual, overdose brega que dura aí na base de uns 8 minutos. E eu gostei. Problema é que depois ele recicla a música durante o filme todo, aí eu não gostei muito, mas beleza.</p>
<p>E o filme é tão bonito, tipo a música, que quase me esqueci que não gosto do Dogma 95, das polêmicas do Lars (gordinho bobo, sofreu na escola) e da Björk. Não, eu nunca vou perdoá-lo por ter feito &#8220;Dançando no Escuro&#8221;.</p>
<p>Um planeta, cara. Chamado Melancolia. Azul, lindo, um espetáculo. E vai destruir a Terra. Fiquei com medo, coração apertado. Sério mesmo.</p>
<p><a href="http://doismeses.files.wordpress.com/2011/08/charlotte-gainsbourg-melancholia.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-221" title="Kirsten &amp; Charlotte" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2011/08/charlotte-gainsbourg-melancholia.jpeg?w=500&#038;h=280" alt="" width="500" height="280" /></a></p>
<p>Entretanto: Kirsten Dunst.</p>
<p>Quem diria, Kirsten? Aquela garotinha bobinha bonitinha loirinha virgenzinha suicida transformou-se e fez o que deve ser o papel da sua vida, ou pelo menos o que é de fato o papel de sua vida até agora. <em>So I&#8217;ve had the time of my life.</em> Tá de parabéns, viu.</p>
<p>Mas, olha, tenho um apego à Charlotte Gainsbourg. Nem tanto pelos pais dela e nem pela voz (eu confesso ter um pouco de medo de ouvir o disco dela, última vez que o fiz um avião da Air France caiu) mas porque ela é bonita, mas ela é feia etc. E tá de parabéns também.</p>
<p>Não, Kirsten. Não, Charlotte. Não se preocupem com o cara que levantou ao final da última sessão de domingo no Unibanco e falou alto, pra sala toda ouvir, &#8220;que bela bosta!&#8221;. Ignorem, contenham-se. Venham cá as duas pra gente conversar.</p>
<p>(Classificação: <del>4</del> 3 smörgåsbord)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/209/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=209&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Kirsten &#38; Charlotte</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>E por falar em viagem</title>
		<link>http://doismeses.wordpress.com/2011/07/03/e-por-falar-em-viagem/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 Jul 2011 14:49:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Viajes &#160; Cuando los famas salen de viaje, sus costumbres al pernoctar en una ciudad son las siguientes: Un fama va al hotel y averigua cautelosamente los precios, la calidad de las sábanas y el color de las alfombras. El &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/07/03/e-por-falar-em-viagem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=195&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<div><strong>Viajes</strong></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Cuando los famas salen de viaje, sus costumbres al pernoctar en una ciudad son las siguientes: Un fama va al hotel y averigua cautelosamente los precios, la calidad de las sábanas y el color de las alfombras.</p>
<p>El segundo se traslada a la comisaría y labra un acta declarando los muebles e inmuebles de los tres, así como el inventario del contenido de sus valijas. El tercer fama va al hospital y copia las listas de los médicos de guardia y sus especialidades.</p>
<p>Terminadas estas diligencias, los viajeros se reunen en la plaza mayor de la ciudad, se comunican sus observaciones, y entran en el café a beber un aperitivo. Pero antes se toman de las manos y danzan en ronda. Esta danza recibe el nombre de “Alegría de los famas”.</p>
<p>Cuando los cronopios van de viaje, encuentran los hoteles llenos, los trenes ya se han marchado, llueve a gritos, y los taxis no quieren llevarlos o les cobran precios altísimos. Los cronopios no se desaniman porque creen firmemente que estas cosas les ocurren a todos, y a la hora de dormir se dicen unos a otros: “La hermosa ciudad, la hermosísima ciudad”. Y sueñan toda la noche que en la ciudad hay grandes fiestas y que ellos están invitados. Al otro día se levantan contentísimos, y así es como viajan los cronopios.</p>
<p>Las esperanzas, sedentarias, se dejan viajar por las cosas y los hombres, y son como las estatuas que hay que ir a verlas porque ellas ni se molestan.</p>
<p>(Julio Cortázar, c. 1962)</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/195/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=195&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Momentos alegres</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Jul 2011 14:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>

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		<description><![CDATA[One of the gladdest moments in human life, methinks, is the departure upon a distant journey into unknown lands. (&#8230;) The blood flows with the fast circulation of childhood. Excitement lends unwonted vigour to the muscles, and the sudden sense &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/07/03/momentos-alegres/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=190&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>One of the gladdest moments in human life, methinks, is the departure upon a distant journey into unknown lands. (&#8230;) The blood flows with the fast circulation of childhood. Excitement lends unwonted vigour to the muscles, and the sudden sense of freedom adds a cubit to the mental stature.</p></blockquote>
<p>Trecho de 1866 do diário do explorador britânico Richard Burton, em seu livro &#8220;<a href="http://www.archive.org/details/zanzibarcityisl00burtgoog" target="_blank">Zanzibar: City, Island, and Coast</a>&#8220;, de 1872</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/190/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=190&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A vetivéria levanta vôo</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jun 2011 22:37:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos do fórum perfumístico, hoje conversaremos sobre um assunto de extrema relevância que é a propaganda de perfumes. Como vocês sabem, as propagandas de perfumes explicam com muita criatividade, molecagem e bom gosto o estilo do consumidor para o qual &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2011/06/11/a-vetiveria-levanta-voo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=175&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos do fórum perfumístico, hoje conversaremos sobre um assunto de extrema relevância que é a propaganda de perfumes. Como vocês sabem, as propagandas de perfumes explicam com muita criatividade, molecagem e bom gosto o estilo do consumidor para o qual aquele produto foi criado.</p>
<p>O título que dá nome a este post é uma lembrança recorrente em minha mente pois estava no texto de apresentação de um perfume que gosto muito e deixou de ser fabricado. No caso, tal texto continuava dizendo que a fragrância em questão era para o homem &#8220;sensível e maduro, que vive a vida intensamente.&#8221;</p>
<p>Isto posto, decidi fazer um apanhado dos adjetivos que me qualificam de acordo com os perfumes que gosto. Espero que aproveitem e conheçam um pouco mais da minha personalidade. Vamos começar pelas três qualidade já citadas e continuaremos nessa viagem louca através de outras especificidades minhas.</p>
<ul>
<li>Sensível</li>
<li>Maduro</li>
<li>Vivo a vida intensamente</li>
<li>Tranquilo</li>
<li>Sutil</li>
<li>Sem limites</li>
<li>Moderno</li>
<li>Sexy</li>
<li>Sofisticado</li>
<li>Ousado</li>
<li>Elegante</li>
<li>Surpreendente</li>
<li>Aprecio a alta-costura, de ternos sob medida a um clássico sobretudo descontraído</li>
</ul>
<p>Uma curiosidade: &#8220;moderno&#8221; apareceu duas vezes, o que claramente traz luz para meu anacronismo, dado que a Idade Moderna <sup>1</sup> acabou na Revolução Francesa, em fins do século XVIII. E se alguns dos adjetivos parecer não combinar, é porque um verdadeiro homem precisa ser complexo. Qual a graça na simplicidade, amigos?</p>
<p><sup>1. &#8220;<a title="The Modern Age" href="http://www.youtube.com/watch?v=RzO7IGWGxu8" target="_blank">The Modern Age</a>&#8221; (Strokes, The. New York, 2001.)</sup></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/175/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=175&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>If I can make it there</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 00:48:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
		<category><![CDATA[eua]]></category>
		<category><![CDATA[lost in translation]]></category>
		<category><![CDATA[magia]]></category>
		<category><![CDATA[nova york]]></category>
		<category><![CDATA[the greatest city in the world]]></category>
		<category><![CDATA[turismo]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>
		<category><![CDATA[vida na américa]]></category>

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		<description><![CDATA[Não gosto de tours, guias e ônibus lotados de turistas japoneses. Prefiro descobrir as coisas por mim mesmo e conversar em línguas que não falo. No entanto, algumas poucas vezes um tour pode ser, sim, interessante. Tipo esse do Big &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2010/02/15/if-i-can-make-it-there/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=133&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Não gosto de tours, guias e ônibus lotados de turistas japoneses. Prefiro descobrir as coisas por mim mesmo e conversar em línguas que não falo. No entanto, algumas poucas vezes um tour pode ser, sim, interessante. Tipo esse do Big Apple Greeter.</em></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/elderc/3418880799/"><img class="aligncenter size-full wp-image-147" title="Manhattan vista da ponte do Brooklyn" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2010/02/manhattan_skyline.jpg?w=500&#038;h=168" alt="" width="500" height="168" /></a></p>
<p>Eu tinha acabado de chegar naquela manhã e andei uns sete quilômetros para ir e voltar da BH em busca de uma câmera nova. Não encontrei nenhum dos dois modelos que procurava e decidi ir na J&amp;R, em Downtown. Antes, por que não ligar para o Mr. Elliott?</p>
<p>Mr. Elliott é um <a href="http://www.bigapplegreeter.org/" target="_blank">Big Apple Greeter</a>, um novaiorquino que recebe visitantes e os leva para passear. É como um tour privativo, mas o guia é morador da cidade e encontra turistas porque tem vontade de mostrar a eles aquilo que mais gosta. O trabalho não é remunerado.</p>
<p>Alguns meses antes de chegar a Nova York, fiquei sabendo do serviço da BAG e decidi testar, mesmo porque não me custaria nada e havia muitos reviews bons no TripAdvisor. Numa tarde me ligaram para dizer quem seria meu guia e dar o telefone dele. Por acaso, ele estava no escritório e conversamos durante 15 segundos. A próxima vez que nos falaríamos seria dali a uns dias.</p>
<p>Assim, antes de ir na J&amp;R liguei para combinarmos o tour que teríamos no dia seguinte. Ele me perguntou o que eu faria naquela tarde e eu comentei que iria na loja procurar uma câmera. &#8220;Uma câmera? Na J&amp;R? Eu tô aqui em Downtown. Te encontro lá e conversamos.&#8221;</p>
<p><strong>Next station: Brooklyn Bridge &#8211; City Hall</strong></p>
<p>Peguei o metrô, desci a ilha, comprei a câmera, fui pra rua, encontrei meu guia. Eu sabia quem era pois ele tinha um pin da empresa. Era um senhor de uns 60 anos, negro, usava um casaco e tinha uma bolsa carteiro. Fomos conversar no parque enquanto mulheres passeavam com bebês e casais andavam de mãos dadas.</p>
<p>Eu tinha visto a previsão do tempo e no dia seguinte choveria. Ele também viu e por isso resolveu falar comigo naquela tarde. Me explicou que poderíamos fazer alguma coisa ali mesmo, com sol, e no dia seguinte iríamos a outros lugares. &#8220;Ok, sem problemas&#8221;, eu disse.</p>
<p>Mr. Elliott era muito inteligente e sabia de várias histórias. Enquanto andávamos, me falava sobre os prédios, sobre datas e sobre pessoas. Me mostrou onde trabalhou quando era analista de sistemas e explicou vinte vezes o funcionamento do metrô. Isso tudo apesar de eu comentar que, veja, em São Paulo também temos um sistema de transporte parecido. Ele era um aficionado por metrôs.</p>
<p>Ele nunca esteve no Brasil. Gostaria de visitar, mas aposentado e com uma esposa com artrite em fase muito avançada seria difícil. Me contou que visitou a Europa nos anos 70 e, inclusive, foi a Portugal. Expliquei que as coisas mudaram muito nessas últimas três décadas e certamente o país estaria irreconhecível.</p>
<p><a title="Nova sede do Goldman Sachs, em construção ao lado do Groud Zero" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/3558357424/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3645/3558357424_06f9b4ec78.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Andamos pelo Financial District, entramos em alguns prédios e ele me falou sobre o 11 de setembro etc. etc. Em seguida, me recomendou a Century 21, que é tipo o Lojão do Brás &#8212; se esse grande empreendimento do Largo da Concórdia vendesse gravatas Ferragamo a 60 dólares.</p>
<p><strong>No sleep till Brooklyn</strong></p>
<p>Fomos de metrô até Brooklyn Heights, land of the rich, home of the mormons. Mr. Elliott me levou ao Promenade para olhar o que ele considera ser a segunda vista mais bonita de Manhattan.</p>
<p><a href="http://doismeses.files.wordpress.com/2010/02/img_0243.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-153" title="Sul de Manhattan visto do Brooklyn Heights" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2010/02/img_0243.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Em meio ao nosso passeio pelos prédios de tijolinho, ele disse que me faria uma proposta e me convidou para ir em sua casa. Um alarme soou, mas eu já tinha pesquisado toda a vida dele no Google e não encontrei nenhum ponto desabonador. E ele também disse que gosta de levar as pessoas em casa para mostrar uma coisa especial.</p>
<p>Será que ele me seqüestraria? Ou talvez eu virasse seu escravo? Como sou apenas um rapaz latino americano, fui ver o que me aguardava.</p>
<p>Mais um metrô e chegamos ao Brooklyn Brooklyn mesmo, aquele lugar onde há quadras com manos americanos jogando basquete, lojas com letreiros &#8220;liquor&#8221; e uma espécie de COHAB. Era ali que Mr. Elliott morava e, por onde passávamos, ele era cumprimentado pelos vizinhos.</p>
<p>Assim que entrei no apartamento, veio aquele cheiro de casa da avó que é uma mistura de coisas velhas, caixas empilhadas e troféus empoeirados. Conheci sua esposa, que não anda e é acompanhada 24h por uma enfermeira. O Medicare quase não dá para pagar as consultas, ele me contou. A mulher ficou animada ao saber que eu tinha vindo do Brasil: &#8220;so amazing!&#8221;</p>
<p>Então ele me mostrou a coisa especial que tinha prometido. Se do Brooklyn Heights Promenade tivemos a segunda vista mais bonita de Manhattan, é porque a primeira vista mais bonita de Manhattan é a da janela da sala do Mr. Elliott.</p>
<p>Olhei e era como uma fotografia: Empire State, Chrysler, as pontes. Magicamente, nenhum prédio para atrapalhar a vista e estava tudo ali. Eu poderia passar as próximas horas observando hipnotizado, mas estava quase escurecendo. Me despedi da esposa e Mr. Elliott marcou de me encontrar no dia seguinte às 9h na Grand Central. Iríamos ao Harlem.</p>
<p><a title="YMCA no Harlem" href="http://www.flickr.com/photos/elderc/3558354282/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3371/3558354282_7642fb2123.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Ele me levou até o metrô e, lá, encontrei um casal de coreanos (chineses? vietnamitas?) que me mostrou um papel com letras irreconhecíveis enquanto os dois falavam uma língua demoníaca. &#8220;Bem, eles só podem estar indo para Manhattan&#8221;, pensei. Os fiz entrar no mesmo trem que eu e, ao chegar em Fulton Street, desci para pegar outra linha. Nunca mais os vi.</p>
<p><strong>A mentira</strong></p>
<p>Lembra o que eu tinha ido fazer na J&amp;R? Comprar uma câmera. E andei com ela dentro da caixa o tempo todo, sem bateria carregada e tal. As fotos desse dia? Não existem. As que ilustram este post foram tiradas nos dias seguintes.</p>
<p>Nem me lembrei de usar o celular para fotografar a vista da casa do Mr. Elliott.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doismeses.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doismeses.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doismeses.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doismeses.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/133/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=133&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>O fim do ano e o medo de perder</title>
		<link>http://doismeses.wordpress.com/2009/12/24/o-fim-do-ano-e-o-medo-de-perder/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 00:19:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
				<category><![CDATA[aleatório]]></category>
		<category><![CDATA[autoajuda]]></category>
		<category><![CDATA[contardo calligaris]]></category>
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		<category><![CDATA[quem não arrisca não petisca]]></category>

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		<description><![CDATA[Contardo Calligaris O ano acaba. A mudança de data traz consigo uma esperança de renovação: é um momento em que pensamos em nossos projetos -para o ano que vem e também em geral, para o futuro, a longo prazo. É &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2009/12/24/o-fim-do-ano-e-o-medo-de-perder/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=119&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contardo Calligaris</p>
<p>O ano acaba. A mudança de data traz consigo uma esperança de renovação: é um momento em que pensamos em nossos projetos -para o ano que vem e também em geral, para o futuro, a longo prazo.</p>
<p>É engraçado. Muitas vezes, acho que o futuro nos preocupa demais, a ponto de nos impedir de saborear o presente. Mas, por outro lado (e paradoxalmente), parece-me que nossos projetos são quase sempre modestos, inibidos, sem ousadia, como se não nos permitíssemos sonhar e correr atrás de nossos sonhos.</p>
<p>Os adolescentes, por exemplo, são constantemente convidados a sacrificar seu presente e a preparar-se para as exigências do futuro (“não saia, pare de vagabundear e sente-se para estudar”). Ao mesmo tempo, na maioria dos casos, o futuro com o qual eles sonham (e que deveria funcionar como seu pensamento dominante) é curiosamente razoável, “sossegado”, mas mediano, se não medíocre.</p>
<p>Claro, os pais adotam, de fato, em relação aos filhos, uma espécie de moral estóica: quem desejar menos não será, talvez, mais feliz, mas será sem dúvida menos infeliz em caso de fracasso e de frustração. Queremos tanto o bem de nossos rebentos que acabamos cortando suas asas: “sonha bem quem sonha pouco”.</p>
<p>Mas essa explicação não basta: não só os jovens parecem sonhar à surdina. A gente também. Por que será que, quando sonhamos e projetamos o futuro, somos facilmente medrosos?</p>
<p>Em 2002, surpreendentemente, um psicólogo ganhou o prêmio Nobel de Economia: Daniel Kahneman. Todos os seus trabalhos (muitos dos quais escritos com Amos Tversky, que morreu em 1996 e, portanto, não pôde ser premiado junto com seu colega) questionam um pressuposto da teoria econômica (hoje quase defunto), segundo o qual o sujeito da economia (ou seja, nós, quando tomamos decisões econômicas) seguiria princípios racionais, escolhendo o que é mais útil e mais proveitoso.</p>
<p>A teoria que tornou Kahneman e Tversky famosos se chama “Prospect Theory”, teoria do prospecto, ou seja, teoria de como a gente avalia as expectativas futuras, no momento de decidir. Eles escreveram dois textos cruciais sobre o assunto, um em 1979 e outro em 1992 (disponíveis ambos on-line no endereço <a href="http://prospect-theory.behaviouralfinance.net/" target="_blank">http://prospect-theory.behaviouralfinance.net/</a>).</p>
<p>A “Prospect Theory” mostra o seguinte: na hora de correr um risco ou de evitá-lo, nossa decisão não é guiada apenas pela consideração das chances efetivas de sucesso ou fracasso, mas outros fatores menos “racionais” (em particular, o medo de perder) tornam-se determinantes.</p>
<p>Escolho uma das experiências realizadas por Kahneman. Note-se que o valor em jogo (digamos, R$ 1.000) corresponde a um terço da renda média do grupo social de onde vêm os entrevistados (as experiências foram realizadas na Suécia e repetidas e confirmadas nos EUA). No começo da experiência, supõe-se que o sujeito tenha recebido, de presente, um dinheiro; dessa forma, as perdas eventuais não mudariam perigosamente sua condição financeira.</p>
<p>Então, você já recebeu R$ 1.000. Agora, você deve escolher entre A) receber R$ 500 certos e B) correr um risco pelo qual há 50% de chances de você ganhar R$ 1.000 e 50% de chances de você não ganhar nada. A grande maioria dos entrevistados (84%) escolhe ficar com os 500 certos e evita o risco de não ganhar nada na esperança de ganhar mais.</p>
<p>Situação inversa. Você recebeu, de presente, R$ 2.000. Agora, você deve escolher entre A) perder 500 inevitavelmente e B) correr um risco pelo qual há 50% de chances de você perder R$ 1.000 e 50% de chances de você não perder nada e ficar com todos os seus 2.000. Aqui uma boa maioria dos entrevistados (69%) prefere correr o risco de perder mais, na esperança, obviamente, de não perder nada. Só 31% optam pela perda inevitável de R$ 500.</p>
<p>Conclusão: quando se trata de ganhar, nossa aversão ao risco é muito maior do que quando se trata de perder. Em outras palavras, não é para ganhar, mas para não perder que estamos dispostos a mais sacrifícios. Para não perder, estamos até prontos a correr o risco de perder mais ainda.</p>
<p>De fato, muitos jogadores conseguem deixar a mesa quando estão ganhando, contentando-se com o dinheiro que levarão para casa, mas são poucos os jogadores que conseguem parar de jogar quando estão perdendo. Em regra, o jogador não se resigna às perdas e segue apostando e acreditando numa mudança da sorte, até esgotar sua conta e seu crédito. Outro exemplo é o do investidor que se agarra a ações que declinam ruinosamente e prefere esperar um milagre a vender e limitar seu desastre.</p>
<p>Ora, a descoberta de Kahneman e Tversky se aplica fora do âmbito estreitamente econômico: na hora de arriscar, o que fala mais alto é o medo de perder. Quando limitamos medrosamente nossos sonhos, o que vale não é tanto a vontade de torná-los mais razoáveis e realizáveis, mas o medo de abandonar o conforto resignado do status quo.</p>
<p>Os psicanalistas dizem a mesma coisa, em termos apenas diferentes: não há desejo sem perdas, e quem não aceita perder se impede de desejar.</p>
<p>Enfim, meus votos para todos: um Ano Novo sem medo de perder.</p>
<p>(29/12/2005)</p>
<hr /><strong><a>ccalligari@uol.com.br</a></strong></p>
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		<title>Os sonhos dos adolescentes</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 00:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por que os adolescentes sonham com um futuro acomodado e razoável, que nem a nossa vida? Contardo Calligaris NA FOLHA de domingo passado, uma reportagem de Antônio Gois e Luciana Constantino trouxe os dados de uma pesquisa do Instituto Nacional &#8230; <a href="http://doismeses.wordpress.com/2009/12/24/os-sonhos-dos-adolescentes/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&amp;blog=2165486&amp;post=117&amp;subd=doismeses&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por que os adolescentes sonham com um futuro acomodado e razoável, que nem a nossa vida?</strong></p>
<p>Contardo Calligaris</p>
<p>NA FOLHA de domingo passado, uma reportagem de Antônio Gois e Luciana Constantino trouxe os dados de uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais: em 2005, 16% dos adolescentes entre 15 e 17 anos de idade não freqüentaram a escola. Trata-se de 1,7 milhão de jovens. Alguns desistiram por falta de meios, de vaga ou de transporte escolar, outros adoeceram, mas, em sua maioria (40,4%), eles abandonaram os estudos por falta de interesse. Como disse uma entrevistada, “os professores eram muito chatos”.</p>
<p>Os comentadores, na própria reportagem, acusam a pouca qualificação ou motivação de muitos professores e um sistema de avaliação que produz repetências. Concordo, mas talvez haja mais.</p>
<p>Ao longo de 30 anos de clínica, encontrei várias gerações de adolescentes (a maioria, mas não todos, de classe média) e, se tivesse que comparar os jovens de hoje com os de dez ou 20 anos atrás, resumiria assim: eles sonham pequeno.</p>
<p>É curioso, pois, pelo exemplo de pais, parentes e vizinhos, os jovens de hoje sabem que sua origem não fecha seu destino: sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar onde nasceram, sua profissão não tem que ser a continuação da de seus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária de ficções e informações, eles conhecem uma pluralidade inédita de vidas possíveis.</p>
<p>Apesar disso, em regra, os adolescentes e os pré-adolescentes de hoje têm devaneios sobre seu futuro muito parecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia-a-dia que, para nós, adultos, não é sonho algum, mas o resultado (mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações.</p>
<p>Um exemplo. Todos os jovens sabem que Greenpeace é uma ONG que pratica ações duras e aventurosas em defesa do meio ambiente. Alguns acham muito legal assistir, no noticiário, à intrépida abordagem de um baleeiro por um barco inflável de ativistas. Mas, entre eles, não encontro ninguém (nem de 12 ou 13 anos) que sonhe em ser militante do Greenpeace. Os mais entusiastas se propõem a estudar oceanografia ou veterinária, mas é para ser professor, funcionário ou profissional liberal. Eles são “razoáveis”: seu sonho é um ajuste entre suas aspirações heróico-ecológicas e as “necessidades” concretas (segurança do emprego, plano de saúde e aposentadoria).</p>
<p>Alguém dirá: melhor lidar com adolescentes tranqüilos do que com rebeldes sem causa, não é? Pode ser, mas, seja qual for a qualidade dos professores, a escola desperta interesse quando carrega consigo uma promessa de futuro: estudem para ter uma vida mais próxima de seus sonhos.</p>
<p>Aparte: por isso, aliás, é bom que a escola não responda apenas à “dura realidade” do mercado de trabalho, mas também (talvez, sobretudo) aos devaneios de seus estudantes; sem isso, qual seria sua promessa? “Estude para se conformar”?</p>
<p>Conseqüência: a escola é sempre desinteressante para quem pára de sonhar.</p>
<p>Em princípio, os jovens interpretam o desejo (inconsciente) dos pais e herdam os sonhos reprimidos atrás das vidas (fracassadas ou bem-sucedidas, tanto faz) dos adultos. Aquela fala chata dos pais, que evocam as renúncias que foram necessárias para conseguir criar os filhos, aponta o caminho de aventuras menos sacrificadas. Há uma guitarra empoeirada no sótão do comerciante ou do profissional cujo filho quer ser roqueiro. O que mudou? Duas hipóteses.</p>
<p>É possível que, por sua própria presença maciça em nossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial e sejam contempladas não como um repertório arrebatador de vidas possíveis, mas como um caleidoscópio para alegrar os olhos, um simples entretenimento. Os heróis percorrem o mundo matando dragões, defendendo causas e encontrando amores solares, mas eles não nos inspiram: eles nos divertem, enquanto, comportadamente, aspiramos a um churrasco no domingo e a uma cerveja com os amigos.</p>
<p>É também possível (sem contradizer a hipótese anterior) que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seu nariz. Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem seu futuro depende dos sonhos aos quais nós renunciamos. Pode ser que, quando eles procuram, nas entrelinhas de nossas falas, as aspirações das quais desistimos, eles se deparem apenas com versões melhoradas da mesma vida acomodada que, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época tem os adolescentes que merece.</p>
<p>(11/01/2007)</p>
<hr /><strong><a>ccalligari@uol.com.br</a></strong></p>
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