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	<title>Dois meses</title>
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		<title>O fim do ano e o medo de perder</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 00:19:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Contardo Calligaris
O ano acaba. A mudança de data traz consigo uma esperança de renovação: é um momento em que pensamos em nossos projetos -para o ano que vem e também em geral, para o futuro, a longo prazo.
É engraçado. Muitas vezes, acho que o futuro nos preocupa demais, a ponto de nos impedir de saborear [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=119&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Contardo Calligaris</p>
<p>O ano acaba. A mudança de data traz consigo uma esperança de renovação: é um momento em que pensamos em nossos projetos -para o ano que vem e também em geral, para o futuro, a longo prazo.</p>
<p>É engraçado. Muitas vezes, acho que o futuro nos preocupa demais, a ponto de nos impedir de saborear o presente. Mas, por outro lado (e paradoxalmente), parece-me que nossos projetos são quase sempre modestos, inibidos, sem ousadia, como se não nos permitíssemos sonhar e correr atrás de nossos sonhos.</p>
<p>Os adolescentes, por exemplo, são constantemente convidados a sacrificar seu presente e a preparar-se para as exigências do futuro (“não saia, pare de vagabundear e sente-se para estudar”). Ao mesmo tempo, na maioria dos casos, o futuro com o qual eles sonham (e que deveria funcionar como seu pensamento dominante) é curiosamente razoável, “sossegado”, mas mediano, se não medíocre.</p>
<p>Claro, os pais adotam, de fato, em relação aos filhos, uma espécie de moral estóica: quem desejar menos não será, talvez, mais feliz, mas será sem dúvida menos infeliz em caso de fracasso e de frustração. Queremos tanto o bem de nossos rebentos que acabamos cortando suas asas: “sonha bem quem sonha pouco”.</p>
<p>Mas essa explicação não basta: não só os jovens parecem sonhar à surdina. A gente também. Por que será que, quando sonhamos e projetamos o futuro, somos facilmente medrosos?</p>
<p>Em 2002, surpreendentemente, um psicólogo ganhou o prêmio Nobel de Economia: Daniel Kahneman. Todos os seus trabalhos (muitos dos quais escritos com Amos Tversky, que morreu em 1996 e, portanto, não pôde ser premiado junto com seu colega) questionam um pressuposto da teoria econômica (hoje quase defunto), segundo o qual o sujeito da economia (ou seja, nós, quando tomamos decisões econômicas) seguiria princípios racionais, escolhendo o que é mais útil e mais proveitoso.</p>
<p>A teoria que tornou Kahneman e Tversky famosos se chama “Prospect Theory”, teoria do prospecto, ou seja, teoria de como a gente avalia as expectativas futuras, no momento de decidir. Eles escreveram dois textos cruciais sobre o assunto, um em 1979 e outro em 1992 (disponíveis ambos on-line no endereço <a href="http://prospect-theory.behaviouralfinance.net/" target="_blank">http://prospect-theory.behaviouralfinance.net/</a>).</p>
<p>A “Prospect Theory” mostra o seguinte: na hora de correr um risco ou de evitá-lo, nossa decisão não é guiada apenas pela consideração das chances efetivas de sucesso ou fracasso, mas outros fatores menos “racionais” (em particular, o medo de perder) tornam-se determinantes.</p>
<p>Escolho uma das experiências realizadas por Kahneman. Note-se que o valor em jogo (digamos, R$ 1.000) corresponde a um terço da renda média do grupo social de onde vêm os entrevistados (as experiências foram realizadas na Suécia e repetidas e confirmadas nos EUA). No começo da experiência, supõe-se que o sujeito tenha recebido, de presente, um dinheiro; dessa forma, as perdas eventuais não mudariam perigosamente sua condição financeira.</p>
<p>Então, você já recebeu R$ 1.000. Agora, você deve escolher entre A) receber R$ 500 certos e B) correr um risco pelo qual há 50% de chances de você ganhar R$ 1.000 e 50% de chances de você não ganhar nada. A grande maioria dos entrevistados (84%) escolhe ficar com os 500 certos e evita o risco de não ganhar nada na esperança de ganhar mais.</p>
<p>Situação inversa. Você recebeu, de presente, R$ 2.000. Agora, você deve escolher entre A) perder 500 inevitavelmente e B) correr um risco pelo qual há 50% de chances de você perder R$ 1.000 e 50% de chances de você não perder nada e ficar com todos os seus 2.000. Aqui uma boa maioria dos entrevistados (69%) prefere correr o risco de perder mais, na esperança, obviamente, de não perder nada. Só 31% optam pela perda inevitável de R$ 500.</p>
<p>Conclusão: quando se trata de ganhar, nossa aversão ao risco é muito maior do que quando se trata de perder. Em outras palavras, não é para ganhar, mas para não perder que estamos dispostos a mais sacrifícios. Para não perder, estamos até prontos a correr o risco de perder mais ainda.</p>
<p>De fato, muitos jogadores conseguem deixar a mesa quando estão ganhando, contentando-se com o dinheiro que levarão para casa, mas são poucos os jogadores que conseguem parar de jogar quando estão perdendo. Em regra, o jogador não se resigna às perdas e segue apostando e acreditando numa mudança da sorte, até esgotar sua conta e seu crédito. Outro exemplo é o do investidor que se agarra a ações que declinam ruinosamente e prefere esperar um milagre a vender e limitar seu desastre.</p>
<p>Ora, a descoberta de Kahneman e Tversky se aplica fora do âmbito estreitamente econômico: na hora de arriscar, o que fala mais alto é o medo de perder. Quando limitamos medrosamente nossos sonhos, o que vale não é tanto a vontade de torná-los mais razoáveis e realizáveis, mas o medo de abandonar o conforto resignado do status quo.</p>
<p>Os psicanalistas dizem a mesma coisa, em termos apenas diferentes: não há desejo sem perdas, e quem não aceita perder se impede de desejar.</p>
<p>Enfim, meus votos para todos: um Ano Novo sem medo de perder.</p>
<p>(29/12/2005)</p>
<hr /><strong><a>ccalligari@uol.com.br</a></strong></p>
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		<title>Os sonhos dos adolescentes</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 00:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por que os adolescentes sonham com um futuro acomodado e razoável, que nem a nossa vida?
Contardo Calligaris
NA FOLHA de domingo passado, uma reportagem de Antônio Gois e Luciana Constantino trouxe os dados de uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais: em 2005, 16% dos adolescentes entre 15 e 17 anos de idade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=117&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Por que os adolescentes sonham com um futuro acomodado e razoável, que nem a nossa vida?</strong></p>
<p>Contardo Calligaris</p>
<p>NA FOLHA de domingo passado, uma reportagem de Antônio Gois e Luciana Constantino trouxe os dados de uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais: em 2005, 16% dos adolescentes entre 15 e 17 anos de idade não freqüentaram a escola. Trata-se de 1,7 milhão de jovens. Alguns desistiram por falta de meios, de vaga ou de transporte escolar, outros adoeceram, mas, em sua maioria (40,4%), eles abandonaram os estudos por falta de interesse. Como disse uma entrevistada, “os professores eram muito chatos”.</p>
<p>Os comentadores, na própria reportagem, acusam a pouca qualificação ou motivação de muitos professores e um sistema de avaliação que produz repetências. Concordo, mas talvez haja mais.</p>
<p>Ao longo de 30 anos de clínica, encontrei várias gerações de adolescentes (a maioria, mas não todos, de classe média) e, se tivesse que comparar os jovens de hoje com os de dez ou 20 anos atrás, resumiria assim: eles sonham pequeno.</p>
<p>É curioso, pois, pelo exemplo de pais, parentes e vizinhos, os jovens de hoje sabem que sua origem não fecha seu destino: sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar onde nasceram, sua profissão não tem que ser a continuação da de seus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária de ficções e informações, eles conhecem uma pluralidade inédita de vidas possíveis.</p>
<p>Apesar disso, em regra, os adolescentes e os pré-adolescentes de hoje têm devaneios sobre seu futuro muito parecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia-a-dia que, para nós, adultos, não é sonho algum, mas o resultado (mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações.</p>
<p>Um exemplo. Todos os jovens sabem que Greenpeace é uma ONG que pratica ações duras e aventurosas em defesa do meio ambiente. Alguns acham muito legal assistir, no noticiário, à intrépida abordagem de um baleeiro por um barco inflável de ativistas. Mas, entre eles, não encontro ninguém (nem de 12 ou 13 anos) que sonhe em ser militante do Greenpeace. Os mais entusiastas se propõem a estudar oceanografia ou veterinária, mas é para ser professor, funcionário ou profissional liberal. Eles são “razoáveis”: seu sonho é um ajuste entre suas aspirações heróico-ecológicas e as “necessidades” concretas (segurança do emprego, plano de saúde e aposentadoria).</p>
<p>Alguém dirá: melhor lidar com adolescentes tranqüilos do que com rebeldes sem causa, não é? Pode ser, mas, seja qual for a qualidade dos professores, a escola desperta interesse quando carrega consigo uma promessa de futuro: estudem para ter uma vida mais próxima de seus sonhos.</p>
<p>Aparte: por isso, aliás, é bom que a escola não responda apenas à “dura realidade” do mercado de trabalho, mas também (talvez, sobretudo) aos devaneios de seus estudantes; sem isso, qual seria sua promessa? “Estude para se conformar”?</p>
<p>Conseqüência: a escola é sempre desinteressante para quem pára de sonhar.</p>
<p>Em princípio, os jovens interpretam o desejo (inconsciente) dos pais e herdam os sonhos reprimidos atrás das vidas (fracassadas ou bem-sucedidas, tanto faz) dos adultos. Aquela fala chata dos pais, que evocam as renúncias que foram necessárias para conseguir criar os filhos, aponta o caminho de aventuras menos sacrificadas. Há uma guitarra empoeirada no sótão do comerciante ou do profissional cujo filho quer ser roqueiro. O que mudou? Duas hipóteses.</p>
<p>É possível que, por sua própria presença maciça em nossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial e sejam contempladas não como um repertório arrebatador de vidas possíveis, mas como um caleidoscópio para alegrar os olhos, um simples entretenimento. Os heróis percorrem o mundo matando dragões, defendendo causas e encontrando amores solares, mas eles não nos inspiram: eles nos divertem, enquanto, comportadamente, aspiramos a um churrasco no domingo e a uma cerveja com os amigos.</p>
<p>É também possível (sem contradizer a hipótese anterior) que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seu nariz. Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem seu futuro depende dos sonhos aos quais nós renunciamos. Pode ser que, quando eles procuram, nas entrelinhas de nossas falas, as aspirações das quais desistimos, eles se deparem apenas com versões melhoradas da mesma vida acomodada que, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época tem os adolescentes que merece.</p>
<p>(11/01/2007)</p>
<hr /><strong><a>ccalligari@uol.com.br</a></strong></p>
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		<title>Um grande parágrafo sobre Chartres</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 17:30:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A cidade tem 40 mil habitantes, fica a 90 quilômetros de Paris e é capital do departamento de Eure-et-Loir. Fundada há muitos e muitos  séculos (existem evidências de presença humana na região já na pré-história), sua maior atração turística é a Catedral de Notre-Dame de Chartres, cuja construção começou em 1205 e terminou em 1271. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=105&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A cidade tem 40 mil habitantes, fica a 90 quilômetros de Paris e é capital do departamento de Eure-et-Loir. Fundada há muitos e muitos  séculos (existem evidências de presença humana na região já na pré-história), sua maior atração turística é a Catedral de Notre-Dame de Chartres, cuja construção começou em 1205 e terminou em 1271. Hoje  ela é considerada uma das melhores representações da arquitetura gótica e, em 1979, foi tombada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.</p>
<p>Antes da construção da catedral atual, existiram cinco outras igrejas  no mesmo local, sendo a primeira delas a Catedral de Aventin – por  volta do ano 350. Naqueles tempos, a região era ponto de encontro dos  peregrinos que iam à cidade para participar de festas católicas e, mais importante, para ver o suposto manto da Virgem Maria — em exposição no templo desde 876, quando Carlos II, (o Calvo, filho de Carlos Magno) o teria doado após tê-lo ganho de presente numa Cruzada em Jerusalém.</p>
<p style="text-align:left;">A quarta igreja antiga pegou fogo junto com o resto da cidade num grande incêndio em 1134 e acreditou-se que o manto teria sido destruído. Então, num belo dia, um cardeal de Roma estava visitando Chartres e, para a surpresa de todos, a relíquia foi encontrada em meio às cinzas! O evento foi rapidamente dado como milagre e um sinal de Maria. Em pouco tempo conseguiram arrecadar dinheiro suficiente para contruir a maior e mais bela catedral da França… Ah, como eram bobinhos os europeus do século XII.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://www.flickr.com/photos/elderc/3832300020/"><img class=" " title="Chartres - Interior" src="http://farm4.static.flickr.com/3539/3832300020_e030bf9afb.jpg" alt="Interior da catedral de Chartres" width="263" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Interior da catedral de Chartres</p></div>
<p>A catedral como a conheçemos hoje ficou pronta em 1260. Suas curiosidades são o labirinto de 261,55 metros (onde quem o percorrer estará fazendo o caminho para encontrar-se com Deus) e os vitrais, sempre citados por serem os mais bem preservados da época medieval e por trazerem em alguns de seus vidros a cor que ficou conhecida como “azul de Chartres”.</p>
<p>Como não poderia deixar de ser, Chartres esconde um segredo. Ou pelo menos é isso que dizem os que lêem livros tipo “O código Da Vinci” e os que crêem em teorias e conspirações. Por exemplo, Laurence Garner é historiador revisionista (seus adversários preferem chamá-lo de “pseudohistoriador”) cujo principal livro é “A linhagem de sangue do Santo Graal.” Ele fez um estudo sobre a localização das várias igrejas de Notre Dame no norte da França. Sua conclusão? Ora, as igrejas foram construídas numa disposição geográfica específica que, vista no mapa,<br />
lembra a formação estelar da constelação de Virgem.</p>
<p>Pegou? As igrejas construídas no norte da França em homenagem à Virgem Maria formam, no mapa, a constelação de… Virgem! Veja:</p>
<div id="attachment_107" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><img class="size-full wp-image-107 " title="Chartres 1" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2009/09/chartres_virtruv_1.gif?w=350&#038;h=297" alt="Chartres" width="350" height="297" /><p class="wp-caption-text">Chartres está bem no meio</p></div>
<p>No entanto, brincar com estrelas e constelações é completamente pagão e nem um pouco cristão. Se a gente traçar um círculo, juntar umas linhas e… ei! Leonardo, é a Mulher Vitruviana!</p>
<div id="attachment_108" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><img class="size-full wp-image-108" title="Chartres 2" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2009/09/chartres_vitruv_2.gif?w=350&#038;h=297" alt="Chartres está, na verdade, num lugar bem importante" width="350" height="297" /><p class="wp-caption-text">Chartres está, na verdade, num lugar importante</p></div>
<p>E veja só onde fica Chartres. Isso precisa significar alguma coisa.</p>
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			<media:title type="html">Chartres - Interior</media:title>
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		<title>Cegueira</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 01:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Simples assim: eu achei que deveria falar de &#8220;Ensaio sobre a Cegueira&#8220;, novo filme do Fernando Meirelles. Com roteiro baseado no livro homônimo do José Saramago, português ganhador do Nobel, eu decidi que seria algo infilmável. Mas veja bem, eu li o livro em 2004. Me lembrei que ao lê-lo, imaginava milhões de cenas na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=70&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Simples assim: eu achei que deveria falar de &#8220;<a href="http://www.google.com/url?sa=t&amp;source=web&amp;ct=res&amp;cd=1&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.imdb.com%2Ftitle%2Ftt0861689%2F&amp;ei=wp3VSMnHDIXmetOX8K0K&amp;usg=AFQjCNHoEqU3FgAuFKtMs-9VP42F02BR5w&amp;sig2=r7dDJSIOTbBSIydKUTXSpw" target="_blank">Ensaio sobre a Cegueira</a>&#8220;, novo filme do Fernando Meirelles. Com roteiro baseado no livro homônimo do José Saramago, português ganhador do Nobel, eu decidi que seria algo infilmável. Mas veja bem, eu li o livro em 2004. Me lembrei que ao lê-lo, imaginava milhões de cenas na minha mente criativa. Por que não seria possível transpô-las para a tela?</p>
<div id="attachment_72" class="wp-caption aligncenter" style="width: 277px"><a href="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/09/blindness_estaiada.jpg"><img class="size-full wp-image-72" title="Blindness - Ponte Estaiada" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/09/blindness_estaiada.jpg?w=267&#038;h=400" alt="" width="267" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Morumbi - Brooklin way of life</p></div>
<p>Ora, nossa cabeça consegue manter dezenas de linhas de pensamento ao mesmo tempo. Você pode até não se dar conta disso, mas há muitas camadas de pensamentos na sua mente neste exato instante. Assim fica razoavelmente fácil conseguir imaginar qualquer coisa, inclusive um livro um pouco mais complexo como esse.</p>
<p>Complexo pois trata de uma coisa difícil de ser transformada em imagens. A cegueira, por sua própria característica, não é passível de maiores explicações. Uma cegueira branca, então, fica pior. Você imagina como deve ser, mas ver isso no cinema é difícil.</p>
<p>Exposto isso, aviso que esperava com ansiedade. Queria ver o resultado da produção, acompanhava o <a href="http://blogdeblindness.blogspot.com/" target="_blank">blog</a>, lia as notícias. A ansiedade aumentou mais ao ver o <a href="http://br.youtube.com/watch?v=dgY7HuWsmKQ" target="_blank">teaser</a> e o <a href="http://br.youtube.com/watch?v=Fiqsk5ogcy8" target="_blank">trailer</a>.</p>
<p>E o filme?</p>
<p>Será sempre um prazer ver São Paulo sendo retratada sem ser na novela ou nas câmeras quase-VHS dos filmes brasileiros. Os primeiros segundos foram diferentes. Faria Lima com Juscelino, carros tipicamente brasileiros e atores falando inglês? Depois veio aquela sucessão de coisas que são estranhas pra quem mora na cidade: do Itaim para Higienópolis em duas cenas, dali para algum lugar do outro lado do rio, então para os Jardins e, finalmente, para o que parece ser Pinheiros. Pontes Eusébio Matoso e Bernardo Goldfarb tiveram seus momentos de fama – assim como sua prima rica, a Octávio Frias de Oliveira.</p>
<p>Achei que a fotografia tornou-se inconveniente. No começo era bacana ver a brincadeira &#8220;cegueira branca/tons brancos&#8221; mas depois encheu. Junto com os reflexos. Mas isso não é o mais importante.</p>
<div id="attachment_74" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/09/blindness_minhocao.jpg"><img class="size-full wp-image-74" title="Blindness - Minhocao" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/09/blindness_minhocao.jpg?w=400&#038;h=267" alt="O Minhocao fica assim aos domingos" width="400" height="267" /></a><p class="wp-caption-text">O Minhocão fica assim aos domingos</p></div>
<p>Não houve maior desenvolvimento dos personagens. Do pouco que me lembro do livro, nele também não havia muitas delongas na história, mas isso se potencializou quando transformado em filme. O mesmo aconteceu com as cenas. Edição muito rápida, não deu pra parar e pensar no que estava vendo. A hora e meia que se passa dentro da quarentena trouxe muita informação e pouco tempo hábil para processamento.</p>
<p>Não vou reclamar do suposto esmaecimento das cenas nojentas ou violentas. Meirelles manteve, por exemplo, a cena que mais me marcou no quesito &#8220;nojeiras&#8221; enquanto eu lia o texto. E convenhamos que também não há muito como tornar mais ou menos violenta uma cena de estupro, que foi a mais comentada enquanto se produzia o filme. Qual teria sido a primeira versão, que foi cortada após senhorinhas terem saído da sala de exibição numa sessão piloto? Sexo explícito? Não era a isso que o filme se propunha e, se for assim, ok.</p>
<p>E um narrador não era necessário. Ele se dá ao luxo de explicar o que está acontecendo no final da história. Por quê? <em>Por quê?</em></p>
<p>Regular.</p>
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		<title>O Grande Colisor de Hádrons</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 01:52:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O CERN é a Organisation européenne pour la recherche nucléaire ou, em português, Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear. Essa instituição está localizada nos arredores de Genebra, bem na fronteira da França com a Suíça &#8212; inclusive pode-se entrar no centro de pesquisas pela Suíça e sair pela França ou vice-versa.
Quando estive em visita a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=63&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O <a href="http://public.web.cern.ch/Public/Welcome.html" target="_blank">CERN</a> é a Organisation européenne pour la recherche nucléaire ou, em português, Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear. Essa instituição está localizada nos arredores de Genebra, bem na fronteira da França com a Suíça &#8212; inclusive pode-se entrar no centro de pesquisas pela Suíça e sair pela França ou vice-versa.</p>
<div id="attachment_64" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;hl=en&amp;geocode=&amp;q=cern,+switzerland&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=29.854268,64.335938&amp;ie=UTF8&amp;t=h&amp;ll=46.2343,6.047115&amp;spn=0.012705,0.031414&amp;z=15"><img class="size-full wp-image-64" title="CERN" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/09/cern.jpg?w=400&#038;h=260" alt="CERN" width="400" height="260" /></a><p class="wp-caption-text">Aí no meio passa a fronteira da França com a Suíça</p></div>
<p>Quando estive em visita a essa bela cidade-sede da ONU, quase fui ao CERN. Para chegar lá é bem fácil: pega-se um ônibus na Gare de Cornavin e, em minutos, alcança-se a portaria. Não fui pois me disseram que não tem nada pra ver lá. Meu objetivo era poder dizer aos amigos que já estive no lugar onde foi inventada a World Wide Web.</p>
<p>Sim, senhores. Foi no CERN que criaram essa maravilha que é a plataforma em que se baseiam todas as páginas da internet. Sempre que você digita www-alguma-coisa está usando uma tecnologia desenvolvida nos laboratórios do CERN.</p>
<p>Hoje, 10 de setembro, é um dia muito importante para a história desse lugar e para a história do mundo. Dentro de mais algumas horas o <a href="http://lhc2008.web.cern.ch/lhc2008/" target="_blank">LHC &#8211; Large Hadron Collider</a> será ligado. Esse aparelho, enterrado cem metros abaixo dos prédios que formam o complexo franco-suíço, é o maior acelerador de particulas já criado pelo homem.</p>
<p>A primeira vez que li sobre um acelerador de partículas certamente foi numa Superinteressante qualquer, décadas atrás. Desde então me maravilho com essas coisas.</p>
<p>Grosso modo, o LHC é um tubo circular com 27 quilômetros de diâmetro (imagine o tamanho) onde prótons serão jogados uns contra os outros a velocidades próximas à da luz. Com custo estimado em 8 bilhões de reais, o objetivo do tubão é criar outras partículas e enxergar pela primeira vez o bóson de Higgs, uma das partículas elementares que formam tudo que existe. Além disso, os físicos pretendem encontrar outras dimensões. É sério.</p>
<p>Às três e meia da manhã no Brasil, oito e meia na Suíça, vão ser iniciadas as experiências que podem levar ao fim do mundo.</p>
<p>Há algum tempo circulam pela imprensa e pela internet textos onde se chama a atenção para a possibilidade do LHC provocar pequenos buracos negros que, como qualquer buraco negro, engoliriam o que estiver em seu redor. Uma reação em cadeia poderia levar o universo a desaparecer em minutos.</p>
<p>Outra possibilidade, igualmente poética, seria a criação de strangelets. Essas partículas, como o nome diz, são &#8220;estranhas&#8221; e, bem, podem acabar com o universo através de um processo de fusão. Tudo se tornaria uma grande massa, talvez uma grande gosma negra. Em ambos os casos, terminaríamos todos juntos, grudados, para sempre.</p>
<p>Para saber se o LHC já destruiu a vida e a não-vida, clique <a href="http://www.hasthelhcdestroyedtheearth.com/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Foi um prazer.</p>
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		<title>A pior viagem</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 02:03:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era um trem da Magyar Államvasutak, ou, como eles chamam, Máv. A linha: Bucureşti Gara de Nord &#8211; Praha hlavní nádraží. A viagem toda dura mais de 24 horas, quando sem atrasos, mas a peguei na metade final. Embarquei na estação Budapest Keleti pályaudvar, ou, como eles chamam, Budapest Keleti pu. Era o começo da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=59&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Era um trem da Magyar Államvasutak, ou, como eles chamam, Máv. A linha: Bucureşti Gara de Nord &#8211; Praha hlavní nádraží. A viagem toda dura mais de 24 horas, quando sem atrasos, mas a peguei na metade final. Embarquei na estação Budapest Keleti pályaudvar, ou, como eles chamam, Budapest Keleti pu. Era o começo da pior viagem que já fiz na minha vida.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-60" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/07/cd_bc_budapestkeleti.jpg?w=400&#038;h=300" alt="" width="400" height="300" /></p>
<p>O trem já estava na estrada há 13 horas, sacolejando desde a distante Bucareste, capital romena que fica quase na esquina com a Bulgária. Ao chegar em Budapeste, sentia o calor que emanava das rodas de ferro que já deviam ter rodado milhões de quilômetros por aquelas ferrovias construídas durante o regime soviético. Uma baciada de gente feia descia pelas portas apertadas enquanto observávamos impávidos aquele povo sofrido. Nós, fortes e bem-nutridos, com nossas mochilas pesadas e toda a garra de um passeio absurdo pelos cantos da Europa. Era começo de noite na Hungria e o sol ainda estava longe de se pôr. Seus raios alaranjados passavam pelos vidros e pela grandiosa entrada da estação.</p>
<p>Às 19h17, partimos.</p>
<p>Deixava para trás uma cidade pela qual me apaixonei e o medo começava a tomar conta de mim: serei assaltado? morto? seqüestrado? Às 21h32 chegamos em Győr e deixamos o país da língua do demônio para entrar na Eslováquia. Tempos depois, o trem passou lentamente pelo centro de Bratislava até ficar vinte e quatro minutos parado em Bratislava Hlavna Stanica, a principal estação da capital eslovaca. O relógio batia 23h44 quando voltamos a nos movimentar e eu olhava pela janela as luzes dos outdoors naquele país que não existia 14 anos antes.</p>
<p>Nesses momentos pensava o que meus amigos e minha família estariam fazendo no Brasil, onde ainda não eram 18h. Talvez estivessem no trânsito ou em casa vendo a novela. Eu não. Eu estava num trem na Eslováquia.</p>
<p>Břeclav foi a primeira parada na República Tcheca, à 1h15. Passamos por Brno, a segunda maior cidade do país, às 2h15 e finalmente chegamos a Praga, terra natal de Franz Kafka e da Revolução de Veludo, às 6h14. Foram onze horas no balanço, no desconforto e na sujeira. Isso foi há exatamente um ano.</p>
<p>Sinto saudades.</p>
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		<title>Piratas do Tietê</title>
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		<pubDate>Fri, 23 May 2008 16:37:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Domo do Milênio, em Londres, foi o grande erro de Tony Blair. Parecia uma coisa bacana fazer uma espécie de coliseu moderno na periferia da cidade, mas iam usar pra quê? Aconteceu que o Domo virou um elefante branco e foi vendido (ou dado em comodato, sei lá) pra O2, uma operadora de telefonia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=58&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O Domo do Milênio, em Londres, foi o grande erro de Tony Blair. Parecia uma coisa bacana fazer uma espécie de coliseu moderno na periferia da cidade, mas iam usar pra quê? Aconteceu que o Domo virou um elefante branco e foi vendido (ou dado em comodato, sei lá) pra O2, uma operadora de telefonia na Inglaterra. Virou The O2 e transformou-se num espaço para mostras e restaurantes e palco de grandes eventos esportivos ou musicais.</p>
<p>Por exemplo, Daniella Mercury.</p>
<p>A autora de &#8220;Alegria agora&#8221; irá se apresentar na capital britânica no dia 6 de Junho, no espaço chamado &#8220;indigO2&#8243;, que é tipo um Baretto. Mentira, é tipo um palco menor dentro da mega tenda que é The O2. Por 40 libras você verá Daniella e o Balé Mulato. Mas porque estou falando disso mesmo? Ah, sim, o Domo. Fica meio longe do centro de Londres, mas dá pra chegar lá de metrô, carro, táxi, ônibus, DLR (que é tipo um monotrilho) e trem. Ou, a minha preferência, de barco.</p>
<p>O Thames Clipper é um serviço de barcos pelo Tâmisa oferecido por uma empresa privada que pode levar os espectadores ao O2. O Thames Clipper também administra o serviço &#8220;Tate to Tate&#8221;, que conecta a Tate Modern com a Tate Britain via rio. Mas voltando ao show da Daniella, convenhamos que é muito mais chique pegar um barco na London Bridge e descer seis pontos depois na O2. Se você for mais chique ainda, paga mais caro, embarca no O2 Express na Waterloo Bridge e vai direto &#8212; bebericando champanhe. De 2,50 a 18 libras, é tudo uma questão de escolha. Aposto que o Balé Cafuzo (ou Mulato, sei lá) vai desse jeito.</p>
<p>Isso me faz pensar que falta algo assim em São Paulo. Alguém poderia, por exemplo, pegar um barco no viaduto Imigrante Nordestino, o mais ao leste da Marginal Tietê, e descer uma meia hora depois na avenida Interlagos, no ponto mais ao sul da Marginal Pinheiros, pra ver a Fórmula 1. (na verdade, ali nem é mais marginal, mas deu pra entender a idéia)</p>
<p>Imagina que beleza deixar seu carro estacionado na USP, ir num shuttle exclusivo até o pier Cidade Universitária e entrar num barco-bar que o levará até a ponte Transamérica. Lá você desceria e entraria em outro shuttle exclusivo que o deixaria na porta do Teatro Alfa. Imagine as mulheres com chapéus enormes&#8230; Depois jantariam no restaurante no topo da ponte estaiada. Seria um retorno à <em>belle époque</em> paulistana. Poderia até ser criado um circuito do jet-set, com paradas na Hebraica, no Jóquei e na Daslu, além do já citado Alfa.</p>
<p>Mas somos uma cidade de muitos contrastes. Não podemos apenas pensar na alta sociedade e, por isso, proponho a criação de linhas como a Expresso Morumbi. Ela servirá tanto para os trabalhadores se deslocarem até a Berrini, quanto para os torcedores chegarem ao estádio homônimo em dias de jogo. Os corinthianos adorariam poder embarcar na ponte do Tatuapé e descer com tranqüilidade e conforto minutos depois na ponte do Morumbi. O problema seria possíveis brigas entre torcidas. Não gostaria de acordar na quinta-feira e ler na capa da Folha: &#8220;Embate entre torcidas afunda barco com são-paulinos nas imediações da ponte Bernardo Goldfarb&#8221;.</p>
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		<title>3 de Maio</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 01:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-56" src="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/05/3maio.jpg?w=400&#038;h=310" alt="" width="400" height="310" /></p>
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		<title>Virada Cultural &#8211; v. 4</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 02:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elder</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O fato é que eu, num acesso de infantilidade, achei que conseguiria ficar em casa estudando para a prova que terei nesta semana. Com isso, deixei de sair ontem à noite para ver as atrações da Virada Cultural. Obviamente não estudei. Certo de que não poderia deixar de ver uma coisinha que fosse na festa deste ano, deixei minha casa à tarde com destino ao Teatro Municipal. Lá chegando, veria o show de Fabiana Cozza, uma cantora sobre a qual uma amiga não pára de comentar. Meus colegas chegaram todos atrasados e, bem, havia uma fila gigante em volta do Teatro &#8212; não para ver Fabiana, mas sim Jair Rodrigues. Ok, tem show dela no Auditório Ibirapuera no começo do mês.</p>
<p>Seguimos então para a av. São João. Queríamos ver Jorge Ben e seus pê-pê-re-pês-taj-mahal infindáveis e inegavelmente dançantes. No caminho, centenas de pessoas andando pelas ruas do centro e a sensação de satisfação que me acontece todos os anos durante esse evento. Cheguei a comentar que agora me lembrava a Fête de la Musique que participei em Genebra&#8230; Rapidamente fui enxotado e continuamos caminhando naquele calor que era maximizado pelo asfalto e pelos prédios.</p>
<p>Ao atingirmos o ponto histórico de São Paulo, a esquina com a Ipiranga, fomos enfeitiçados pelo brilho do Bar Brahma. Tentamos seguir em frente para ver Jorge mais de perto, só que o chopp gelado foi mais forte. Acabamos ficando nas mesinhas da área externa do bar ouvindo samba rock, dançando sem sair das cadeiras e aproveitando o início de noite na cidade.</p>
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		<title>On a rooftop in&#8230; São Paulo</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Mar 2008 15:44:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Aqui é mais alto que o Skye&#8221;, disse a jovem bem vestida assim que saiu no heliponto do edifício New England, em Higienópolis. O céu nublado daquela noite de outono emoldurava as luzes do Pacaembú e região, sendo que dava para ver até pra lá da Marginal Tietê. Fosse de dia, seria possível encontrar vários [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=53&subd=doismeses&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Aqui é mais alto que o Skye&#8221;, disse a jovem bem vestida assim que saiu no heliponto do edifício New England, em Higienópolis. O céu nublado daquela noite de outono emoldurava as luzes do Pacaembú e região, sendo que dava para ver até pra lá da Marginal Tietê. Fosse de dia, seria possível encontrar vários pontos conhecidos.</p>
<div style="text-align:center;"><img src="http://doismeses.files.wordpress.com/2008/03/jwbl.jpg" alt="jwbl.jpg" /></div>
<p>Na sexta-feira chegou o email me convidando: &#8220;tenho convites para o Johnnie Walker Black Label Unseen New York&#8221;. Hein? A marca de bebidas está proporcionando uma série de &#8220;experiências únicas&#8221; em algumas cidades do mundo e São Paulo é uma delas. No mês passado houve um blind dinner (como se chamam essas coisas?) e, agora, um filme no alto de um prédio. A idéia é se sentir em Nova York.</p>
<p>Nos aproximamos um pouco da cidade americana devido ao vento, ao frio e à garoa que nos presentearam com esse clima &#8220;escocês&#8221;, segundo o embaixador do Johnnie Walker que estava entre nós, falando com seu sotaque carregado e seu kilt. Houve farta distribuição de água, refrigerante,  uísque e petiscos. A distribuição de cobertores, no entanto, não foi tão farta. &#8220;Vai ser ótimo pra pegar uma pneumonia&#8221;, disse alguém.</p>
<p>O filme? Bem, &#8220;Encurralados&#8221;, com Pierce Brosnan, não é recomendável.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/doismeses.wordpress.com/53/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/doismeses.wordpress.com/53/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doismeses.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doismeses.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doismeses.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doismeses.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doismeses.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doismeses.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doismeses.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doismeses.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doismeses.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doismeses.wordpress.com/53/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doismeses.wordpress.com&blog=2165486&post=53&subd=doismeses&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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