Um amigo meu vai visitar o Porto e me pediu dicas. Como morei lá uma temporada, acabei escrevendo um email extenso que reproduzo aqui. Vai que alguém perdido pela internet também queira visitar a Invicta… E, coleguinhas, não se esqueçam: é o Porto, você vai ao Porto, você volta do Porto.
Comece pela Avenida dos Aliados. A “quinta avenida” do Porto (adoro essas comparações) tem prédios bonitos, incluindo a Câmara e uma estátua de Dom Pedro IV, que é o Dom Pedro I do Brasil. Tem também um McDonald’s bonito, é sério.
Recomendo seguir pela rua de Passos Manuel até a esquina com a rua de Santa Catarina, que nesse ponto é um calçadão fechado aos carros. Você vai ver por ali a Fnac. Vire à esquerda na Santa Catarina e vá subindo. Logo no começo, à direita você vai ver o Café Majestic, que é muito bonito. Nas comparações bizarras, diria que é o “A Brasileira” do Porto. Curiosidade: em algum lugar à esquerda, ainda nessa quadra, tem um hotel com uma placa dizendo que Dom Pedro I do Brasil (ou II, que seja) se hospedou ali sei lá quando. Acho que ainda nessa quadra, também à esquerda, tem uma papelaria bem legal que eu recomendo a visita.
Atravessando a rua Formosa, um pouco mais à frente e à direita fica o shopping Via Catarina, que pode ser uma opção para comer, olhar vitrines ou ir ao supermercado. Na próxima esquina, com a rua de Fernandes Tomás, tem uma igreja bonita, cheia de azulejos (como todas as outras). Virando à esquerda na Fernandes Tomás, depois da próxima rua fica o Mercado do Bolhão, que é o mercadão do Porto. Dependendo do dia e horário pode ser fotogênico.
Seguindo em frente você vai chegar nos fundos da Câmara e, andando um pouco mais, subindo a rua da Trindade, na estação Trindade do metro. Se, ao invés disso, você atravessar a pracinha atrás da Câmara, você anda um pouco mais até a rua do Almada, que tava passando por uma invasão de lojas modernosas há 4 anos. Não sei como tá agora. A Embaixada Lomográfica fica (ou ficava) ali.
De qualquer maneira, você pode descer a Almada (ou descer novamente pelos Aliados) até a Praça da Liberdade, que é a rua onde terminam os Aliados. Ali você vira à direita e sobe a rua dos Clérigos até a Torre dos Clérigos. É uma igreja com um milhão de anos com uma torre na qual você pode subir. Ali ao lado fica a Livraria Lello, que é uma das mais bonitas do mundo segundo o Guardian – dica: é verdade.
A partir dali eu voltaria pra praça da Liberdade, até a estação São Bento, cujo hall é certamente um dos mais bonitos de todas estações de trem que você verá. Tem… azulejos. Subindo a rua ao lado da São Bento, você chegará à praça da Sé. Lá fica a igreja mais velha do Porto e uma das mais velhas de Portugal. É do século XII e é muito legal. Seguindo em frente chega-se à ponte Dom Luís, que é a ponte mais bonita da cidade, construída pelo escritório do Gustave Eiffel etc. Atravesse até Vila Nova de Gaia. Num dia quente de sol é incrivelmente bonito e rolam um moleques pulando do andar mais baixo da ponte até o rio. Nós sempre íamos lá pra observar essa vista quando estávamos deprimidos haha.
Ao chegar em Gaia, desça até o rio. Ali, e em algumas ruas transversais, ficam as caves onde você pode conhecer um pouco do processo de fabricação do vinho do Porto e experimentá-lo. Todos cobram mais ou menos o mesmo preço (barato) pela visita. Quatro anos atrás a Croft tinha visitas grátis, mas não eram tão legais quanto as pagas em outras caves. Gostei especialmente da Cálem, que também tem presentes bacanas.
Dica: para comprar vinho, compre no supermercado. A única coisa diferente que você vai encontrar nas caves são embalagens de luxo, mini-garrafas e coisas do tipo. E duas coisas que você pode fazer a partir de Gaia, se estiver afim: 1) pegar um barco que vai rio adentro, onde você poderá ver algumas plantações de uva; e 2) pegar o metrô que fica em frente ao final da ponte Dom Luís (Jardim do Morro) e seguir até a última estação da linha (João de Deus, 3 estações depois) pra ir no El Corte Inglés, que é o Mappin espanhol e geralmente tem roupas bacanas e cervejas importadas no subsolo.
Voltando para o Porto, vá pelo andar de baixo da ponte e chegue no Cais da Ribeira. Ali existe uma série de lojinhas de souvenir e bares com a vista pra Gaia. Seguindo em frente você chega na Praça do Cubo, em frente ao hotel Pestana. Se me lembro bem, um bar que fica ali diz que tem a melhor francesinha da cidade. Recomendo subir essa rua de São João Novo. Outra opção pra voltar pra cidade alta é pegar o funicular que fica pro outro lado da ponte e do cais, mas o mais legal é subir à pé.
Essa região é mixed feelings. Tem (tinha) a parte com novas lojas descoladas que eu recomendo procurar e visitar. Mas tudo que fica no triângulo entre a São João Novo, a Infante Dom Henrique e o rio é meio no go area. Ali é o bairro chamado de Ribeira e, em resumo, é um amontoado de cortiços. Curiosinho pra ver de longe e tirar fotos, mas dizem os portuenses que não é recomendável pra andar. Só andei lá no meio uma vez e a galera é um tanto mal-encarada. Na Infante Dom Henrique com a Mousinho da Silveira fica a antiga Bolsa e um velho mercado onde às vezes acontecem exposições e coisas assim. Parece que uma balada conhecida da cidade se mudou pra lá, não sei. Tudo velho e bonito.
Subindo pelas ruas atrás da Bolsa você volta para perto dos Aliados e dos Clérigos. Atrás dos Clérigos fica a praça onde está a reitoria da Universidade do Porto. O prédio é bonito e tem um museu x. Ao lado da reitoria fica uma praça com uns bares, sendo um deles o bar mais clássico e mais freqüentado pelos alunos da UP: o Piolho. À noite é poca zuera. Em frente a isso tudo, uma igreja com azulejos muito bonita (outra) e a Fonte dos Leões, que é bem breguinha. Seguindo pela rua ao lado da igreja de azulejos você chega numa praça com um teatro e, seguindo mais, você pega a rua da Cedofeita, que é uma rua de comércio bem apertada — é, digamos, a rue Mouffetard dessa parte de baixo da Europa.
Atrás do Piolho, passando pela praça Campo dos Mártires da Pátria, você passa atrás do Hospital Geral de Santo António e pega a rua da Restauração ou, do outro lado, a rua de Dom Manuel II. Quaisquer delas vai te levar até os Jardins do Palácio de Cristal. O Palácio de Cristal em si é igual ao pavilhão de esportes do Ibirapuera, mas os jardins são bem bonitos. Num dos cantos dos jardins tem um mirante onde você tem uma vista bonita do rio e da ponte da Arrábida, que é a ponte que fica mais próxima à foz do Douro.
Dali, com alguma boa vontade, é possível andar pela rua de Júlio Dinis até a praça Mousinho de Albuquerque, mas que todos conhecem como Rotunda da Boa Vista. A Boa Vista é um bairro moderno de classe média. Na rotunda fica a Casa da Música, que é o prédio mais bizarro do Porto, projetado pelo Rem Koolhas. Recomendo ver se tem algo legal na programação. Mesmo que não tenha, vale a pena entrar pra explorar e tirar fotos.
Ainda nesse bairro, mas numa parte mais distante da rotunda, numa travessa da avenida da Boavista, onde você vai precisar de um ônibus ou de um táxi, fica o museu de Serralves. O museu propriamente dito eu nem lembro se é legal (talvez não seja) mas o jardim é muito bonito.
Seguindo até o final da avenida da Boavista (bem longe pra ir à pé, aliás) você passará ao lado do Parque da Cidade e chegará a uma das praias. O Porto não tem praias muito bonitas (é preferível pegar o trem e ir pra Espinho, que é uma cidade próxima, mas nem se preocupe muito pois geralmente venta e faz frio), então o legal ali é ver o Castelo do Queijo e a escultura bizarríssima da Janet Echelman (uma anêmona feita de rede com 42m de diâmetro e 60m de altura) que fica na praça que tem no final da Esplanada do Rio de Janeiro. Quatro anos atrás estavam construindo um prédio/shopping ali. Não sei a quantas anda.
O jeito mais prático pra ir embora dali, sem ser voltando pelo caminho que veio, é pegar o metro na estação Matosinhos Sul. Ou então você pega um ônibus que vá pela margem do Atlântico (av de Montevideu, av do Brasil etc.) só pela vista do oceano e chega de volta à foz. De qualquer maneira, recomendo um passeio por essas avenidas que margeiam o mar pra tirar umas fotos.
Se você pegar o ônibus pro outro sentido, algum que vá pela Estrada da Circunvalação e siga até o centro da cidade, você passará perto do Estádio do Dragão, que é o estádio do F.C. Porto e é um dos mais modernos da Europa. Fica no metro Estádio do Dragão, é vizinho de um shopping legalzinho e era relativamente perto de casa. Saudades.







