“A Árvore da Vida” vale também pelas imagens da época de ouro americana: os anos 50. No pós-guerra, não havia concorrência com os Estados Unidos.
As casas se enchiam de eletrodomésticos, as ruas se enchiam de carros. Enquanto a Europa e o Japão se reconstruíam, a União Soviética se enfiava em seu limbo socialista e as cidades americanas brilhavam no período auge do país que acabara de se tornar a maior potência do mundo. Cidades do interior razoavelmente desenvolvidas, com ruas pacatas, casas grandes e jardins enormes onde as crianças brincavam e aos poucos iam descobrindo coisas da vida.
Onde estavas tu, quando eu fundava a terra?
Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?
(Jó, 38:4,7)
Vi “Melancolia” numa semana e “A Árvore da Vida” em outra. Depois disso tive de rever minha análise científica do filme do Lars e dei um downgrade na nota. Não vale 4, mas vale 3. Porque “A Árvore da Vida” é melhor, e é um contraponto. Enquanto Lars fala sobre o fim, Malick fala sobre a criação.

Em comum aos dois filmes só essa tristeza imensa que eu senti. Em “Melancolia”, uma tristeza egoísta relacionada ao fim do mundo. Tipo: “mas aqui é tão bom e tem tanta coisa pra fazer, não quero que tudo se exploda.”
Em “A Árvore da Vida”, uma tristeza egoísta relacionada ao começo da vida.
Quando nasce Jack, o primeiro filho da família O’Brien, já estamos lá pela metade do filme e já tivemos uma seqüência arrebatadora de 18 minutos com a história do universo. Do Big Ben aos dinossauros, é como se Terrence Malick falasse “galera, se liga, a gente é muito pequeno.” E eu pensando: “pra quê? por que um filho? é muita tristeza, é muito pouco. não vale, é sofrimento.”
A mãe em dado momento diz: “Nature only wants to please itself.”
(Classificação: 4 organismos unicelulares)