A primeira vez que morri eu tinha uns 16 anos. Foi bem no dia em que fui apresentado ao Prelúdio da ópera “Tristão e Isolda”, do Wagner. Achei tão bonito que aquela música nunca mais saiu da minha cabeça. E eu nem sabia direito quem era Wagner, só conhecia “Cavalgada das Valquírias” por causa daquela coleção de música clássica que vinha encartada em 12 CDs na revista Caras — quando a Caras ainda queria passar uma imagem de chiqueza.
Bom, aí eu vi “Melancolia”, do nosso sempre polemicozinho Lars von Trier. Ele usa a música na abertura do filme, coisa absolutamente plástica, perfeição visual, overdose brega que dura aí na base de uns 8 minutos. E eu gostei. Problema é que depois ele recicla a música durante o filme todo, aí eu não gostei muito, mas beleza.
E o filme é tão bonito, tipo a música, que quase me esqueci que não gosto do Dogma 95, das polêmicas do Lars (gordinho bobo, sofreu na escola) e da Björk. Não, eu nunca vou perdoá-lo por ter feito “Dançando no Escuro”.
Um planeta, cara. Chamado Melancolia. Azul, lindo, um espetáculo. E vai destruir a Terra. Fiquei com medo, coração apertado. Sério mesmo.
Entretanto: Kirsten Dunst.
Quem diria, Kirsten? Aquela garotinha bobinha bonitinha loirinha virgenzinha suicida transformou-se e fez o que deve ser o papel da sua vida, ou pelo menos o que é de fato o papel de sua vida até agora. So I’ve had the time of my life. Tá de parabéns, viu.
Mas, olha, tenho um apego à Charlotte Gainsbourg. Nem tanto pelos pais dela e nem pela voz (eu confesso ter um pouco de medo de ouvir o disco dela, última vez que o fiz um avião da Air France caiu) mas porque ela é bonita, mas ela é feia etc. E tá de parabéns também.
Não, Kirsten. Não, Charlotte. Não se preocupem com o cara que levantou ao final da última sessão de domingo no Unibanco e falou alto, pra sala toda ouvir, “que bela bosta!”. Ignorem, contenham-se. Venham cá as duas pra gente conversar.
(Classificação: 4 3 smörgåsbord)
