Pequetita, 189

Janeiro, 2008

O Lov.e Club tá aí há dez anos. Isso é muito tempo numa cena noturna de qualquer lugar do mundo e aqui em São Paulo a rotatividade é altíssima, ainda mais naquela região da rua Pequetita: a longínqua Vila Olímpia.

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Ao contrário dos clubes vizinhos, o Lov.e veio se mantendo desde aquele 12 de Junho de 1998, quando abriu no pós Hell’s. Rapidamente mergulhou num clima de hypação sem igual e as festas ficaram lotadas. Também ao contrário dos vizinhos, apostou em projetos com boa música e focados num público específico. Bem diferente do clima de pegação desenfreada que é comum no bairro. Houve uma quase crise em 2001, quando o clube ameaçou de fechar. Flávia Cecatto assumiu as rédeas com a ida do Angelo Leuzzi pro Rio e contou com a ajuda de gente como a Eliana Iwasa, que assumiu o Technova, considerado por mim o melhor projeto de música eletrônica já surgido por estas bandas. Desde então criou coisas como o Lov.e por São Paulo (levando música para a periferia), deu projeção internacional a DJs brasileiros, trouxe caras importantes lá de fora.

Agora vai fechar.

A notícia saiu na semana passada e as pessoas começaram a comentar. Muitos dizem ter aprendido a gostar de música eletrônica ali e de certa forma também é meu caso. Uma geração inteira se formou no clube e às vezes “formar-se” é exatamente a expressão, pois o Lov.e formou DJs em sua escolinha. Ele passou a fazer parte da minha história a partir do momento em que estive naquela pista apertada e kitsch, cheia de lustres e cores, achando tudo sensacional. Nada como ver o DJ que você gosta tocando as músicas que você gosta bem na sua frente. O Lov.e proporcionava essas coisas. Era comum chegar lá e sentir aquela sensação de “a noite vai ser boa”, seja porque os lineups eram ótimos ou seja porque, bom, simplesmente porque era um lugar onde a noite sempre seria boa. Preços justos no bar, um sistema de fichas que dispensava as filas na saída e um staff que cuidava de tudo completavam o pacote.

Engraçado que eu não fiquei tão triste com o anúncio. Fiquei chateado, claro, mas na verdade eu já esperava algo assim faz tempo, pois o clubinho passou do auge e é difícil mantê-lo dessa maneira. Além disso, a cena mudou, as pessoas mudaram. O público do Lov.e hoje vai a clubes no Centro, na Augusta, na Barra Funda… Há mais concorrência, enfim.

Foram dez grandes anos, dos quais tive o prazer de participar de uma parte. Deixará saudades e muitas lembranças.

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